Empresários da diversão itinerante pedem retoma urgente da atividade

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Empresários do setor da diversão itinerante manifestaram-se hoje junto ao Ministério da Economia, em Lisboa, para exigir a retoma urgente da atividade, considerando que há “um braço de ferro” entre as Câmaras Municipais e o Governo.

“Não compreendemos como estão a acontecer espetáculos em sala fechada, não conseguimos entender. E nós, ao ar livre, com um plano de contingência, não podemos trabalhar. É discriminação”, afirmou o presidente da Associação dos Profissionais Itinerantes Certificados (APIC).

Luís Paulo Fernandes falava durante a concentração que juntou dezenas de empresários vindos de todo o país, que empunhavam cartazes com as inscrições: “Obrigados a pagar, proibidos de trabalhar”, “As festas não reabriram, mas os casos sempre subiram” ou “Basta discriminação”.

Acusando o Governo de negligência, o representante explicou que já estão a ser assinados contratos com os municípios para recomeçarem a laborar, mas, recordou, têm sido bloqueados pela tutela.

Segundo Luís Paulo Fernandes, os empresários do setor da diversão itinerante têm autorização para começarem a trabalhar, no Porto, a partir do dia 20 de maio.

“Foi votado em Assembleia Municipal sem votos contra”, frisou, acrescentando que falta autorização do Governo.

“Nós precisávamos de nos estar a instalar para, daqui a 15 dias, estar a trabalhar. Nós temos de trabalhar, vamo-nos instalar na Rotunda da Boavista e em mais dois parques, que foram autorizados no Porto e em Matosinhos. Neste momento as câmaras deixam [trabalhar] e o Governo não”, sublinhou.

De acordo com o presidente da APIC, tem havido uma luta entre os municípios e o Governo, e os empresários não “compreendem o que está a acontecer neste momento”.

“Este processo já é um braço de ferro entre as câmaras – até socialistas -, porque já temos os protocolos assinados para funcionar, planos de contingência aprovados – apresentados – com termos de responsabilidade e engenheiros de eletrónica e mecânica”, referiu.

Hoje, os empresários estão concentrados em frente ao Ministério da Economia e na quinta-feira vão estar junto ao Conselho de Ministros.

Os empresários vão também fazer uma vigília junto à Presidência da República.

Luís Paulo Fernandes aproveitou para lembrar também que os “prejuízos são avultados”, reforçando que os empresários não “querem ser subsidiodependentes”.

“Mais de metade do setor já faliu. São três associações que estão aqui hoje e nota-se que metade do setor faliu ou mudou de atividade”, sustentou.

É a primeira vez que um protesto junta a APIC, a Associação Portuguesa de Empresas de Diversões (APED) e a MEID – Associação – Movimento Empresarial Itinerante de Empresas de Diversões e Similares.

Vinda do Porto, a empresária itinerante Adelaide Gomes demonstrou à agência Lusa preocupação, considerando que há “muitos problemas” no setor.

“O Governo não sabe o que anda a fazer. Nós temos de trabalhar, porque vamos buscar [dinheiro] onde já se vê o fundo”, observou.

Adelaide Gomes lembrou que também já há empresários que colocaram os camiões e o equipamento à venda.

Também o empresário Miguel Galvão, de Abrantes (Santarém), pediu atenção por parte do ministro da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira.

“Esperamos ser ouvidos pelo ministro, que tenha em atenção ao nosso setor. Tudo abriu e nós fomos esquecidos outra vez. Nós também sabemos trabalhar com regras, temos o protocolo da DGS [Direção-Geral da Saúde] assinado, no ano passado funcionou e este ano vai funcionar igual”, disse.

Manifestando preocupação, Miguel Galvão contou à Lusa que, em 2020, não trabalhou e, atualmente, encontra-se sem dinheiro e a viver às custas do pai.

“Estou a viver às custas do meu pai, as economias que eu tinha já acabaram, tive de pagar seguros, IUC [Imposto Único de Circulação] e despesas todos os meses que toda a gente tem: água, luz, renda da casa e prestação do carro. Neste momento estou sem dinheiro e o meu pai é que me está a sustentar”, assegurou.

Já Maria Santos, de Braga, precisou que “estão muitas famílias endividadas” e “ninguém pode ajudar ninguém”.

“[Desde] novembro de 2019 que eu já não ganho um euro. Eu e todos que aqui estamos e só temos gastos, não temos regalias nenhumas”, adiantou, acrescentando que os empresários têm “uma vida de luta e muito dinheiro investido”.

Maria Santos considerou ainda que os empresários estão a ficar “muito afetados psicologicamente”.

“Não vamos morrer da covid, mas vamos morrer afetados, porque estamos mesmo mal”, frisou

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