Governo garante que aumento de casos não está a resultar em mais internamentos

Partilhar
Share On Facebook

O secretário de Estado da Saúde, Diogo Serras Lopes, disse quarta-feira que o aumento de casos de covid-19 que se tem verificado em Portugal não está a exigir uma utilização acrescida dos serviços hospitalares.

“O aumento do número de casos não está a implicar, a esta data, uma utilização igual e muito menos maior, dos serviços hospitalares, tanto em enfermaria como em unidades de cuidados intensivos do que aquele a que assistimos nos meses de abril e maio deste ano”, disse o secretário de Estado da Saúde na conferência de imprensa regular de atualização de informação sobre a pandemia me Portugal.

Diogo Serras Lopes reiterou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a preparar-se para os meses de outono e inverno e que o aumento de casos que tem vindo a verificar-se “não é exclusivo de Portugal”.

O secretário de Estado apontou que Portugal registou durante o mês de setembro 18.153 casos de infeção com o novo coronavírus, que provoca a doença covid-19, número que comparou com o mês de abril [até agora o mês com maior número de casos], no qual foram registados 16.733 casos.

Quanto a pessoas internadas, o governante disse que atualmente estão 764 pessoas em enfermarias, enquanto em 15 de abril em circunstâncias semelhantes estavam 1.302.

Em unidades de cuidados intensivos estão internadas 104 pessoas, enquanto em 06 de abril estavam 271.

“Os fatores que explicam a menor utilização de enfermarias e de cuidados intensivos num contexto de número de casos que é superior demorará, como é natural e como tantas outras questões nesta pandemia, a ser estudado”, disse Diogo Serras Lopes.

O secretário de Estado da Saúde também referiu que “o aumento do número de casos não surpreende”, justificando com “o retomar progressivo da atividade, não apenas na dimensão económica, mas também na Educação com o regresso às aulas ou na Saúde com o regresso da atividade assistencial”, embora tenha sublinhado a necessidade de “manter regras” e tenha reiterado que “a prudência é fundamental”.

“Estamos convictos que o maior e o melhor conhecimento desta doença por parte dos nossos profissionais de saúde e também a preparação que foi implementada ao longo dos meses em todo o Serviço Nacional de Saúde contribui de forma decisiva para uma melhor resposta”, referiu.

Diogo Serras Lopes apontou que “a taxa de ocupação global [dos serviços hospitalares] se mantém entre os 70 e os 80%”, uma taxa que, frisou, não inclui a “capacidade adicional” do Serviço Nacional de Saúde, capacidade essa que será ativada de imediato caso necessário.

“Monitorizamos diariamente a procura e estamos prontos a reagir caso seja necessário”, afirmou.

Quanto ao Plano da Saúde para o outono e inverno, de acordo com o governante, este está em fase de contributos por parte do Conselho Económico e Social e do Conselho Nacional de Saúde, prevendo-se que a versão final seja apresentada “muito brevemente”.

Por fim, e antes de responder a perguntas dos jornalistas, o secretário de Estado da Saúde, que falava ao lado da diretora-geral, Graça Freitas, procurou sublinhar as mensagens sobre cuidados como manutenção do distanciamento social, uso de máscara e lavagem das mãos.

“Porque nenhuma ação que qualquer um de nós possa tomar será tão eficaz no combate à pandemia como cumprirmos cada vez mais e melhor estas três regras simples”, concluiu.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e cinquenta e um mil mortos e mais de 35,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.040 pessoas dos 81.256 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.