Por causa da pandemia voltamos a abusar do descartável

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O ministro do Ambiente lamentou hoje o aumento da utilização de materiais descartáveis devido à pandemia de covid-19, mas considerou que é o único aspeto em que a atual crise prejudica o que estava a ser feito a nível ambiental.

“O descartável voltou a invadir as nossas vidas”, apontou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes.

Questionado sobre se considera que a crise provocada pela pandemia de covid-19 vem prejudicar o que estava a ser feito em termos de políticas ambientais, o governante foi perentório na resposta: “não, antes pelo contrário, é preciso acelerar políticas que vinham de trás. […] A exceção é o ‘reabuso’ do descartável”.

Segundo Matos Fernandes, assistimos neste momento – em crise económica provocada por uma pandemia – a uma “disponibilidade maior da União Europeia” para que os investimentos no ambiente e sustentabilidade sejam feitos.

No enquadramento actual, oministro contrapôs a disponibilidade atual para investir com a resposta à crise de 2009, que considerou de “restrição ao investimento” e “aposta cega na austeridade”.

“Havia um pensamento claramente liberal que campeava na Europa, e tudo o que tinha a ver com políticas ambientais foi completamente descartado”, sublinhou.

O ministro do Ambiente ressalvou, ainda,  que não se consegue mudar a sociedade “numa noite, ou numa manhã”, em termos de sustentabilidade ambiental, daí que a transição energética tenha de ser feita em democracia e com consenso.

“Eu não quero ir viver para uma gruta como o menino Jesus”, disse o ministro, recorrendo ao humor, afirmando, no entanto, estar “consumado o divórcio para aqueles que acreditavam que, para a economia crescer, tinha de poluir mais”.

No final do debate, os três participantes demonstraram um otimismo refreado em relação às metas ambientais para os próximos anos, para responder de forma eficaz ao estado de emergência climática.

“É muito difícil ficar otimista olhando para o grau de pobreza de alguns países. Essa é uma preocupação muito grande. […] Nós só vamos ganhar esta luta pelo exemplo”, considerou Matos Fernandes, acrescentando, porém, estar otimista em relação ao que vai acontecer em Portugal e na Europa, sobretudo se a lei do clima for aprovada ainda durante a presidência alemã da União Europeia (que termina no final do ano).