Quarta-feira, Março 11, 2026
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InícioVALE DO LIMAPONTE DE LIMAMemórias do “Nosso elegante teatro” recolhidas em livro de José Sousa Vieira

Memórias do “Nosso elegante teatro” recolhidas em livro de José Sousa Vieira

A sessão solene de apresentação do livro DIOGO BERNARDES, O nosso elegante Teatro Diogo Bernardes, da autoria de José de Sousa Vieira, marcou esta quarta-feira o início de celebração de mais um Dia do Município que culmina um ano de celebrações.

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O evento, que encheu a plateia do Teatro Diogo Bernardes, juntou autarcas, presidentes de junta, representantes de instituições locais e a comunidade em geral para celebrar a história do concelho e, em particular, a rica trajetória de uma das suas mais emblemáticas salas de cultura.

Foi o próprio autor a abrir as intervenções, fazendo questão de começar por agradecer a todos os presentes pela amabilidade de ali estarem. Numa alocução breve, mas sentida, José de Sousa Vieira explicou o propósito do livro, que pertence “a um repositório da existência deste acolhedor espaço, tão presente no quotidiano local desde os últimos anos do século XIX”.

O autor não escondeu a complexidade do trabalho de investigação, reconhecendo que a obra poderá suscitar diferentes leituras. “Há nele, com certeza, sombras, escolhas, interpretações que não serão acolhidas por muitos”, admitiu, mas garantindo que existe “um esforço de reunir o que de mais relevante foi acontecendo num espectro local, material e artístico, na existência do teatro”.

Num momento de particular reconhecimento, José de Sousa Vieira fez questão de salientar o papel da imprensa local na preservação da memória da atividade cultural da vila. “Sem ela, esta obra seria apagada, quase vazia, difícil de fazer e entender”, sublinhou, que foram tratando de noticiar a vida do “elegante teatro”, numa aliança recolhida em diversas citações incluídas no livro.

O autor deixou ainda uma nota de especial encantamento dirigida à comunidade, antecipando as surpresas que muitos leitores poderão encontrar nas páginas da obra. “É possível que muitos se surpreendam ao constatar que seus familiares não são estranhos ao aparecimento, desenvolvimento e vida artística desta casa de espetáculos”, revelou, lembrando tanto os profissionais que, “em carne e osso ou através da tela”, visitaram o palco do teatro, como os inúmeros amadores, “miúdos e graúdos”, que iluminaram com o seu talento os dias e noites de descanso da vila.

Numa reflexão final sobre o significado da data que se encerrava, o autor evocou a atribuição do foral, há 900 anos, que permitiu a existência do atual concelho. “Era um pequeno espaço, mas é assim que todos os seres vivos nascem, e por isso está correto dizer que somos terra de ou da humanidade”, dissertou, lembrando que o espaço foi aumentando, ganhando e perdendo com a extinção. “E hoje, aqui está acolhendo as nossas vidas, com todos os encontros e desencontros que os estares salutares permitem”, concluiu, num apelo final à celebração da história local.

O presidente da Câmara Municipal, Vasco Ferraz, tomou depois a palavra para sublinhar a importância da obra agora lançada para a memória coletiva dos limianos, especialmente num ano em que o teatro se prepara para cumprir 130 anos de existência. “Este teatro, um dos mais notáveis monumentos arquitetónicos da nossa vila, lugar de realização de tantos eventos culturais, bem merece este livro”, afirmou Ferraz, referindo-se ao edifício como um repositório de memórias afetivas para várias gerações.

O autarca realçou o espírito empreendedor dos limianos de finais do século XIX que tornaram possível a construção de uma infraestrutura cultural de vulto numa vila então modesta. “Numa vila como a nossa, um teatro como este, que inveja para outras localidades e orgulho para nós, não deixou de ser um facto espantoso”, observou, evocando figuras como João Rodrigues de Morais, cujo papel nas origens do teatro é amplamente documentado na obra.

Eugénio Vasco Ferraz anunciou ainda que o município irá prestar homenagem a essa geração fundadora. “Em breve, o Teatro Diogo Bernardes vai recordar esta figura, simbolizando nela toda a geração responsável pelo nascimento desta casa”, revelou.

O livro O Nosso Elegante Teatro Diogo Bernardes, com cerca de 250 páginas, constitui-se assim como uma obra de referência para a compreensão da vida cultural de Ponte de Lima, perpetuando a memória de um espaço que é, e sempre foi, um ponto de encontro privilegiado da comunidade.

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