A presidente da Câmara de Caminha, Liliana Silva, afirmou esta quinta-feira, 10 de julho, que o desassoreamento do rio Minho deverá estar concluído dentro de um ano e meio a dois anos, apontando para 2027 ou 2028 como horizonte para a conclusão da intervenção.
Em declarações aos jornalistas, à margem da assinatura de protocolos em Vila Praia de Âncora – onde o concelho formalizou a adesão ao Balcão Digital do Mar e a assunção do Edifício da Onda – a autarca revelou que a Agência Portuguesa do Ambiente deu indicações de que está a avançar a candidatura para o desassoreamento da zona sul do rio Minho, na área da Foz.
Liliana Silva adiantou que a intervenção terá início em breve junto ao pontão de atraque da Polícia Marítima, justificando a urgência com as dificuldades sentidas pelas embarcações, nomeadamente em períodos de maré baixa, para sair em missões de socorro.
Questionada sobre o processo, a presidente da Câmara reiterou que “uma parte já vai avançar brevemente, junto ao pontão da Capitania”, sublinhando que se trata também de uma “questão de segurança” relacionada com a nova Estação Salva-Vidas, que será instalada na Foz do rio Minho.
Durante a cerimónia de hoje, a autarca, eleita pela coligação PSD/CDS-PP/PPM, defendeu a construção de uma marina na Foz do rio, considerando que a infraestrutura “podia catapultar o concelho de Caminha” e torná-lo “ponto obrigatório de paragem do turismo de recreio”, contribuindo para uma “economia do mar pujante e transformadora”.
Ainda a propósito do desassoreamento, Liliana Silva recordou que, em maio passado, já havia referido que a zona junto ao pontão da Capitania avançaria em breve por razões de segurança. Na altura, adiantou ainda que estão a ser desenvolvidos estudos para a restante extensão do rio, que inclui não só a remoção de areias, mas também o combate a plantas infestantes, um problema grave naquele curso de água.
Atualmente, existem cinco pontes sobre o rio Minho a ligar o distrito de Viana do Castelo à Galiza, sendo Caminha o único concelho do vale do Minho que ainda depende do transporte fluvial para a ligação ao território espanhol.
O ‘ferryboat’ Santa Rita de Cássia, que assegura a travessia entre Caminha e La Guardia desde 1995, tem registado interrupções sucessivas ao longo dos anos, quer por avarias na embarcação, quer pelo assoreamento do canal de navegação.
Em maio de 2022, a ligação foi suspensa devido a problemas no cais galego que impediam a atracação do ferry naquela margem; contudo, mesmo após a resolução dessa questão, o assoreamento do rio inviabilizou a retoma das operações.
Liliana Silva já tinha revelado, em maio, que o ‘ferryboat’ Santa Rita de Cássia “não vai voltar a funcionar”, uma vez que o orçamento para a sua reparação ascende a 1,4 milhões de euros, valor considerado “totalmente incomportável” para as finanças municipais.
