O Partido Social Democrata de Ponte de Lima manifestou esta semana “estupefação, perplexidade e profunda preocupação” com declarações atribuídas pelo presidente da Câmara Municipal, Vasco Ferraz, ao antigo autarca e Daniel Campelo.

Em causa está a afirmação, feita na reunião de Executivo de 13 de abril e registada em ata aprovada a 28 de abril, de que Campelo terá defendido oralmente que o concelho “deveria reduzir a sua população de cerca de 42 mil para 30 mil habitantes”.
De acordo com o comunicado do PSD local, Vasco Ferraz terá ainda declarado na mesma reunião: “O que o engenheiro nos transmitiu é que acha que o concelho deve perder população, e isso não é a vontade da população.”
O partido social democrata considera a acusação “extraordinariamente grave, não apenas pelo conteúdo em si, mas sobretudo por envolver o nome de um antigo presidente da Câmara que marcou, de forma indelével, o percurso do concelho”.
Daniel Campelo, que liderou a autarquia limiana durante vários anos, é descrito pelos sociais-democratas como uma figura “associada à afirmação de Ponte de Lima como território dinâmico e atrativo”. O PSD sublinha a “incredulidade perante a possibilidade de tal posição ter sido defendida” por Campelo, questionando ainda a falta de suporte documental para uma declaração baseada apenas em “alegadas transmissões orais”.
Perante o que classifica como “um cenário de ambiguidade que lança suspeições injustificadas”, o PSD de Ponte de Lima dirige três exigências ao presidente da Câmara: que Vasco Ferraz esclareça “de forma clara e objetiva, em que circunstâncias, quando e perante quem” terão sido proferidas as declarações atribuídas a Daniel Campelo; que seja tornado público qualquer documento, parecer ou posição escrita que sustente tal afirmação, caso exista; e que Daniel Campelo possa, se assim o entender, esclarecer publicamente se alguma vez defendeu uma redução populacional do concelho.
O partido alerta ainda para o “ruído” que a polémica introduz num debate que exige seriedade e rigor, o da revisão do Plano Diretor Municipal, um instrumento estratégico que definirá o desenvolvimento do concelho nas próximas décadas.
Na nota, os sociais-democratas rejeitam “instrumentalizar nomes, histórias e legados políticos” e defendem que, se alguém realmente entende que Ponte de Lima deve perder população, “deve dizê-lo com clareza e assumir politicamente essa visão perante os Limianos”. Caso contrário, diz o PSD, “é imperativo que se reponha a verdade e se salvaguarde o bom nome de quem dedicou anos da sua vida ao desenvolvimento do concelho”.
O partido reafirma a sua convicção num concelho “que cresce, que atrai população, que cria oportunidades e que valoriza o seu território – não num concelho resignado ao declínio ou à redução demográfica como inevitabilidade”.
Até ao momento, nem o presidente da Câmara, Vasco Ferraz, nem o CDS – partido que integra a coligação no executivo municipal – se pronunciaram publicamente sobre as acusações do PSD, nem sobre a alegada visão para o futuro de Ponte de Lima. O próprio Daniel Campelo também não reagiu ainda à polémica.
O jornal tentou obter reações junto dos visados, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição.



