Eixo Atlântico defende redução para 25% de deslocações em veículos privados

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O plano de mobilidade urbana sustentável do Eixo Atlântico, associação de 39 cidades do Norte de Portugal e da região espanhola Galiza, defende uma diminuição para 25% das deslocações em veículo privado nas zonas urbanas.

O plano foi hoje apresentado na Póvoa de Varzim, no distrito do Porto, no decorrer 5.º seminário de intercâmbio de experiências no âmbito da sustentabilidade desta organização transfronteiriça do Noroeste Peninsular, contando na sua execução com diversos contributos das cidades e municípios que integram a organização.

O documento partiu da premissa de que os modelos de organização urbana e de mobilidade estão interligados, tendo como principal denominador comum a utilização do veículo privado, que interfere na forma como as cidades são desenhadas.

“Quem manda agora é veículo privado, mas este plano propõe que quem passe a mandar seja o transporte público. Temos de estruturar as nossas cidades de acordo com as linhas públicas e com promoção de modos de mobilidade suaves como a bicicleta”, partilhou Francesc Cárdenas, ecologista urbano e consultor ambiental, na apresentação do plano.

Tendo em conta que a área do Eixo Atlântico engloba sete milhões de habitantes, sendo a terceira mais povoada da Península Ibérica, tendo, por isso, diferentes morfologias e particularidades nas cidades e municípios que a compõe, o plano contempla diferentes premissas, tendo em conta tamanho, a área dispersão e de ocupação do territorial, mas converge no objetivo de “tentar traçar linhas e estratégias comuns”.

Entre quais, defende que menos de 25% das deslocações internas da cidade sejam feitas em veículo privado, que qualquer cidadão tenha acesso a uma paragem de transporte público a menos de 300 metros do local onde reside, que mais de 60% do espaço público das cidades sejam reservadas aos peões, e que sejam criadas zonas de baixas emissões [de carbono] em cidades com mais de 50 mil habitantes.

O Plano do Eixo Atlântico reconhece que as medidas “não devem comprometer o funcionamento das cidades”, mas também alerta que o mundo “vive num contexto de emergência climática”, propondo que as medidas implementadas possam ter incentivos, nomeadamente fiscais.

Xoán Mao, Secretário-geral do Eixo Atlântico, que presidiu aos trabalhos deste seminário, lembrou que esta foi a primeira reunião [presencial] feita em quase dois anos, devido à pandemia da covid-19, vincando que “falar de sustentabilidade neste reencontro não é uma casualidade”.

“Nada voltará a ser igual, temos de estar preparados para as mudanças. O trabalho da área da sustentabilidade é fundamental para sairmos da crise. Temos de apostar num modelo económico local e mais próximo de quem paga os seus impostos no território”, disse o dirigente.

Neste congresso onde foram ainda debatidos projetos inovadores na área dos resíduos e também debatidos planos de sustentabilidade urbana, Xoán Mao confessou-se “orgulhoso por ver trazer para o Eixo Atlântico uma grande quantidade e qualidade de conhecimento que pode servir para programar o futuro e tornar estas cidades das mais avançadas da Europa”.

Já Luís Diamantino, vice-presidente da Câmara da Póvoa de Varzim, na qualidade de anfitrião deste fórum, apontou que “a sustentabilidade é um desafio global, só vencível com a participação empenhada dos gestores da cidade”.

“O Eixo Atlântico tem cinco áreas prioritárias de ação, a regeneração urbana, inovação, sustentabilidade, economia e política social, e todas são complementares. Temos de ser parceiros nos processos de gestão dos fundos europeus que se avizinham e ninguém melhor que os autarcas para conhecerem os setores que mais precisam de apoio”, rematou o autarca poveiro.

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