Começaram hoje, em Caminha, as obras de estabilização do paredão de Moledo, uma intervenção de urgência destinada a travar a destruição causada pelos sucessivos avanços do mar durante as tempestades do inverno. A informação foi avançada pela autarquia local, num momento em que a estrutura, que chegou a colapsar parcialmente no início de março, apresentava um risco elevado de derrocada, comprometendo a segurança e a circulação na zona costeira.

A intervenção que agora arranca tem um caráter imediato e visa estabilizar o paredão, que ficou em risco de derrocada em fevereiro e sofreu um colapso no início do mês passado. Segundo as previsões da Câmara Municipal de Caminha e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade responsável pelos trabalhos, esta fase inicial deverá prolongar-se por três a quatro semanas, criando condições de segurança para a circulação de pessoas e veículos. Esta é vista pela autarquia como uma “obra de remedeio”, necessária para garantir a funcionalidade do local até ao arranque de uma intervenção mais estrutural.
A empreitada mais aprofundada está programada para outubro, após o fim da época balnear, e integra um pacote mais vasto de obras de proteção costeira nas praias de Moledo e Vila Praia de Âncora. Em março, o Ministério do Ambiente anunciou um investimento global de 4,5 milhões de euros para as duas frentes. As ações de estabilização, reforço e requalificação que agora têm início estão orçadas em cerca de meio milhão de euros, estimando-se que os restantes quatro milhões de euros sejam aplicados nos trabalhos a realizar a partir do outono.
A 07 de março, o presidente da APA, José Pimenta Machado, já tinha delineado o plano de “intervenção a dois tempos”, assegurando que a primeira fase avançaria rapidamente para conter os danos. Esta estratégia insere-se num esforço mais alargado da agência, que dispõe de 15 milhões de euros para obras de urgência no litoral continental, na sequência dos estragos provocados pelas sucessivas tempestades que assolaram o país.
O paredão de Moledo tornou-se um dos pontos críticos da costa norte, depois de, no início de fevereiro, ter ficado em risco de derrocada. A situação agravou-se a 19 de março, quando a força do mar destruiu parte da esplanada de um estabelecimento comercial e ameaçou a estrutura do farolim de aviso à navegação, aumentando a pressão para uma resposta célere por parte das entidades competentes.
Com as obras de emergência agora em curso, a autarquia e a APA esperam garantir a estabilidade imediata da estrutura, permitindo que a praia de Moledo e os seus acessos possam ser reabilitados de forma sustentada até ao início da empreitada mais estrutural prevista para o último trimestre do ano, que deverá incluir a reconstrução do muro de proteção costeira e o reforço do sistema dunar nos Caldeirões, em Vila Praia de Âncora.




