A inscrição da vela votiva de Santa Marta de Portuzelo, em Viana do Castelo, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial entrou hoje em consulta pública, durante 30 dias, segundo anúncio publicado em Diário da República.
De acordo com o documento hoje publicado, a decisão do Património Cultural IP sobre o pedido de inventariação da “Vela Votiva de Santa Marta de Portuzelo” será conhecida no prazo de 120 dias após a conclusão do período da consulta pública.
Segundo a página na Internet Vela Votiva de Santa Marta (VVSM), hoje consultada pela Lusa, aquele adereço empunhado pelas mordomas foi criado na década de 50 do século passado, por Álvaro Sales Gomes.
O artesão, natural de Santa Marta de Portuzelo, criou a vela votiva de Santa Marta para figurar no cortejo da Mordomia da Romaria de Santa Marta.
A vela “tem cera, mede 55 centímetros (cm) de comprimento e 1,5 cm de diâmetro, rondando os 200 gramas de peso”.
É “constituída por uma armação de madeira para manter direita e segura a fim de engrinaldar. A armação de madeira dá mais cinco centímetros à altura da vela. Desta forma fica com 60 cm de comprimento, dos quais 15 cm pertencem à cera nua, 35 cm às grinaldas e, por fim, os restantes 10 cm à base ou punho da vela”.
“As grinaldas são de papel metalizado prateado e vermelho. De papel prateado são as flores de imitação de malmequeres e vermelho são os botões de rosa, símbolos que caracterizam a freguesia como uma sociedade agrícola. Os botões são azuis para a vela empunhada pela mordoma que de luto esteja. As grinaldas são colocadas de forma a criar um tronco de cone com aproximadamente 15 cm de diâmetro, prendem-se na base com galão e forra-se com papel metalizado prateado. Seguidamente, cobre-se as grinaldas com trena e coloca-se a bobeche sobre as grinaldas. Na base, dá-se um laço em fita de seda com 5 cm de largo e 200 cm de comprimento”, lê-se na publicação.
Há ainda uma lenda associada à vela votiva, segundo a página criada para divulgar esta peça de artesanato tradicional, que versa que “as mordomas são raparigas que, formando grupos, têm a responsabilidade de ajudar e promover a romaria da festa do Santo venerado na terra em que vivem”.
São “solteiras e a condição exige que sejam donzelas. O tempo de duração da missa é para elas angustiante pelo receio de que a vela se possa apagar”, refere, acrescentando que, “se por alguma corrente de ar ou sopro maldoso a vela se apaga durante a missa, tal acontecimento dava azo a uma interpretação que em nada abonava a mordoma portadora de tal vela.
“Apagá-la é castigo de Santo que não aceita o embuste de quem já não sendo virgem por ela quer passar”, reza a lenda.






