Um castro da Idade do Ferro, posteriormente romanizado, foi descoberto no concelho de Arcos de Valdevez na sequência da primeira escavação científica realizada no local. O município anunciou esta semana que estão previstas campanhas de escavação anuais, pelo menos até 2029, com o objetivo de recuperar e musealizar o sítio arqueológico.
A primeira intervenção, realizada no verão do ano passado, serviu para avaliar o potencial arqueológico do local, designado Castro de Eiras. Os resultados revelaram uma área de cerca de 10 hectares com vestígios bem conservados e extensos, incluindo habitações, arruamentos e estruturas defensivas datadas dos séculos II a.C. a I d.C.. O arqueólogo municipal, Nuno Soares, explicou que a importância excecional do castro se deve à descoberta prévia, em 2015, de uma rara “pedra formosa”, um monólito decorado com espirais e círculos que integraria um balneário ritual.
A prospeção geofísica permitiu detetar uma vasta área com múltiplos elementos arqueológicos, levando à integração da descoberta num projeto mais amplo de estudo da Romanização do Vale do Vez. As escavações confirmaram a ocupação na Idade do Ferro, com a identificação de uma casa redonda com vestíbulo e silos para armazenamento, e também a posterior romanização do local.
O município, em parceria com a empresa Era Arqueologia, realizou recentemente sessões de sensibilização dirigidas às populações das freguesias de Eiras, Mei e Aboim das Choças, para despertar a comunidade para a importância dos trabalhos e da preservação do património. A “pedra formosa”, com cerca de três toneladas e descoberta por acaso quando estava a ser reaproveitada para a construção de um muro, foi, entretanto, recuperada e pode agora ser visitada no espaço Valdevez, sendo considerada uma das “joias da coroa” do concelho.






