
O cantor e compositor Neil Young anunciou que desde janeiro está a disponibilizar um ano de acesso gratuito ao seu arquivo de música e vídeo a todos os habitantes da Gronelândia. A iniciativa, descrita como uma “oferta de paz e amor”, visa aliviar o “stress” provocado pelas recentes ameaças do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que expressou a intenção de anexar aquele território autónomo da Dinamarca.
No seu ‘site’ oficial, o músico canadiano afirmou ser seu “sincero desejo” que todos na “bela Gronelândia” possam desfrutar da sua obra com a mais alta qualidade. Young, uma das vozes mais críticas da administração Trump, escreveu que espera que a sua música alivie “algum do ‘stress’ e das ameaças injustificadas” que os groenlandeses estão a sofrer por parte do que classificou como um “governo impopular e, espero, temporário” norte-americano.
A publicação surge na sequência de declarações de Trump, que na semana passada, após o discurso no Fórum Económico Mundial em Davos, voltou a falar na “estrutura de um futuro acordo” sobre “a Gronelândia e toda a região do Ártico”. Young, de 80 anos, disponibiliza assim toda a música que criou nos últimos 62 anos, com a possibilidade de renovação gratuita do acesso enquanto os utilizadores estiverem na Gronelândia, e expressou a esperança de que outras organizações sigam o seu exemplo.
Esta não é a primeira vez que Neil Young actua em protesto contra a administração Trump. No início de janeiro, acusou o Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE) de ser a “nova polícia brutal americana”, reagindo ao assassinato de Renee Good por agentes dessa força federal. Mais recentemente, após a morte do enfermeiro Alex Pretti, baleado por agentes do ICE em Minneapolis no sábado, 24 de janeiro, o músico citou o governador do Minnesota, Tim Walz, para criticar o acontecimento. Numa mensagem no seu ‘site’, o artista acusou ainda Trump de “destruir a América” com uma equipa de “aspirantes sem experiência” e de querer “criar instabilidade para que possa permanecer no poder”.
A sua oposição levou-o a boicotar plataformas comerciais. Na semana passada, reforçou o boicote à Amazon, de onde retirou o seu catálogo em 2025, por a empresa pertencer a Jeff Bezos, um “bilionário apoiante” de Trump. Em 2022, tinha tomado medida semelhante contra o Spotify, por alojar o ‘podcast’ de Joe Rogan, outro apoiante do Presidente, regressando a essa plataforma dois anos depois.
A sua produção artística reflecte o activismo político. No ano passado, lançou o ‘single’ “Big Crime”, que inclui versos sobre “muito crime em Washington, D.C., na Casa Branca”. Em 2020, interpôs um processo contra Trump por a sua campanha ter usado a música “Rockin’ In the Free World” sem autorização. Na mesma altura, apoiou a candidatura do senador Bernie Sanders e chamou a Trump “uma vergonha para o país”.
Para além da sua intervenção política, Neil Young anunciou uma digressão europeia para o próximo verão, integrada na “Love Earth World Tour”. A passagem por Reino Unido, Irlanda, França, Bélgica, Suíça e Itália, em junho e julho, contará com a participação de Elvis Costello and The Imposters em algumas datas.






