As obras de construção do novo mercado municipal de Viana do Castelo vão poder decorrer em simultâneo com as escavações arqueológicas no local onde existiu o prédio Coutinho, anunciou esta semana o presidente da autarquia. Luís Nobre revelou que os trabalhos de arqueologia são retomados na segunda-feira, dia 23 de março, mas garantiu que será possível compatibilizar essa tarefa com a empreitada de construção.

O autarca socialista falava à comunicação social no final da reunião ordinária do executivo municipal, após ter reunido com a empresa responsável pelas escavações e com o empreiteiro. “Já tivemos uma reunião com a empresa responsável pelas escavações arqueológicas e com o empreiteiro para trabalharem em conjunto, com as entidades do património cultural envolvidas para agilizar o processo”, adiantou, sublinhando que a construção não avançará “com a densidade pretendida enquanto houver arqueólogos no local”.
A descoberta de vestígios do antigo convento de São Bento, em outubro de 2025, durante as escavações no parque de estacionamento à superfície que existia nas traseiras do prédio Coutinho, já provocou um atraso de três meses na empreitada. O edifício foi desconstruído em 2022 para dar lugar ao novo mercado municipal, cuja obra, avaliada em 13,37 milhões de euros, arrancou a 29 de setembro de 2025 com um prazo inicial de 18 meses. Luís Nobre mostrou-se confiante de que não surgirão vestígios “significativos” devido “à densidade das intervenções de construção do prédio Coutinho”, mas frisou a necessidade de cumprir as determinações das entidades de património. “Por mais que nos complique o calendário temos de cumprir senão embargava-nos a obra e era certamente mais difícil de gerir esse processo. O calendário agora são 18 meses a contar a partir de segunda-feira”, afirmou.
O tema da construção do novo mercado foi abordado no período antes da ordem de trabalhos, na sequência de uma interpelação de Paulo de Morais, da bancada do PSD, sobre o estacionamento na cidade. O vereador social-democrata classificou a oferta como “insuficiente, desconexa e incoerente”, considerando que os parques “mais centrais são inacessíveis e caros”, com referência ao parque privado do 1.º Maio e ao concessionado na Avenida dos Combatentes, a principal artéria da cidade.
Em resposta, Luís Nobre esclareceu que a autarquia não tem competência para interferir nos valores praticados pelo parque privado e adiantou que a concessão do parque da Avenida dos Combatentes será revista em 2029. O autarca deixou ainda a garantia de que a capacidade de estacionamento na cidade aumentará quando estiver concluído o parque de estacionamento de apoio ao novo mercado municipal.
Ainda durante a reunião, e na sequência de uma interpelação de Duarte Martins, também do PSD, sobre transportes públicos, Luís Nobre anunciou que o tarifário dos TUViana está prestes a entrar em vigor, depois de ter sido enviado para publicação em Diário da República. O serviço público de transportes assegurado pela autarquia “foi gratuito durante seis meses”, recordou.
O novo tarifário contempla um passe único de 20 euros, com redução para 10 euros para pessoas com deficiência e seniores. Jovens e antigos combatentes beneficiam de passe gratuito. Os bilhetes ocasionais adquiridos a bordo custam 1,5 euros, enquanto o bilhete pré-comprado tem o valor de um euro. Para utilização diária, estão disponíveis bilhetes de cinco euros para um dia ou 12 euros para três dias consecutivos.




