Polícia Judiciária efetua buscas na Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) e detém quatro funcionários suspeitos de corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos e abuso de poder no setor.
A Polícia Judiciária (PJ) está, desde as 09h00 desta manhã a realizar a operação Puro Verde da PJ, com buscas na sede da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), no Porto.
A ação, que ainda decorria às 15, 30 h está inserida num inquérito relacionado com suspeitas de corrupção e burla no âmbito do sistema de certificação e fiscalização daquela denominação de origem.
Em declarações à comunicação social, a presidente da Comissão, Dora Simões, confirmou a cooperação total da instituição com as autoridades, mas afirmou não ter conhecimento do teor concreto do processo ou do eventual “esquema” em investigação.
“Foi-nos solicitado disponibilizar a nossa documentação e a nossa informática para que se pudessem fazer o levantamento de dados na área da fiscalização. Aquilo que é dado a conhecer à Comissão é muito pouco”, afirmou Dora Simões, adiantando que quatro funcionários da divisão de fiscalização foram detidos para averiguações. “Não sabemos quem eles são ainda”, referiu.
A presidente sublinhou que todos os protocolos de controlo, desde o cadastro da vinha até ao produto final no mercado, são rigorosamente seguidos e que a instituição mantém registos de toda a atividade. “Partindo do princípio que estamos a fazer bem (…) não temos razão para suspeitar de que alguma coisa está de errado a funcionar”, declarou, enfatizando a “abertura total” dada às autoridades.
Questionada sobre o impacto da operação, Dora Simões admitiu que a notícia “não é boa” para a reputação da região, que conta com cerca de 14 mil viticultores e tem os Estados Unidos como seu principal mercado de exportação. No entanto, frisou tratar-se, por agora, apenas de uma fase de averiguações. “Até que alguma coisa seja verificada e comprovada, é só isso”, afirmou, acrescentando: “O Vinho Verde é uma marca mundial. Não vai ser esta situação (…) que vai derrubar a região. É uma região centenária”.
No decurso da mesma operação foram ainda detidos quatro empresários do setor.
A operação, que conta também com a participação do Ministério Público, centra-se na análise de dados e procedimentos de fiscalização, suspeitando-se da possível existência de lacunas ou irregularidades nos controlos. As buscas prosseguem para “consolidar as suspeitas” das autoridades, que ainda não emitiram qualquer comunicado oficial sobre a investigação em curso.






