Terça-feira, Fevereiro 24, 2026
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Valença era uma das bases logísticas do grupo de tráfico de droga “Teia Branca”

A operação “Teia Branca”, que culminou na detenção de cinco indivíduos e na apreensão de 1,5 toneladas de cocaína, revelou que a organização criminosa utilizava várias localizações em Portugal como pontos de armazenamento, incluindo Valença. A informação foi avançada hoje pela Polícia Judiciária (PJ), em conferência de imprensa realizada em Lisboa.

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Os detidos, com idades entre os 30 e os 41 anos, são de nacionalidade venezuelana e espanhola. Encontram-se em Lisboa, com três em prisão preventiva e os restantes a aguardar a aplicação de medidas de coação. Segundo a PJ, o grupo operava no Algarve, mas estendia a sua capacidade logística a todo o país, usando Valença, Aveiro, Guarda, Lezíria do Tejo e Setúbal como locais de armazenamento de material e droga. A cocaína seguia depois para Espanha, de onde seria distribuída por vários países europeus.

“Não temos indicação de que era para distribuir em Portugal”, esclareceu Joaquim Trindade, do departamento de investigação criminal da PJ de Portimão, adiantando que a droga foi encontrada dissimulada no interior de veículos.

A dispersão geográfica do grupo dificultou a sua deteção, mas a operação, que envolveu centenas de agentes da Guarda Nacional Republicana (GNR) de Setúbal durante vários dias, foi executada “sem danos nem feridos”, segundo o comandante João Martinho. A investigação, conduzida pelo Departamento de Investigação Criminal da PJ em Portimão em articulação com a Polícia Nacional espanhola, durou três anos e incluiu 11 mandados de busca domiciliária.

Os agentes destacaram a “forte capacidade logística e elevada disponibilidade financeira” do grupo, que, embora não fosse muito extenso, era “perigoso” e “sabia o que fazia”. Além da droga, foram apreendidas sete embarcações de alta velocidade, 22 viaturas ligeiras (algumas de alta cilindrada e outras de mercadorias), armamento de guerra — seis metralhadoras AK 47 Kalashnikov, uma pistola-metralhadora VZ61 Skorpion e duas pistolas Glock — e 10 relógios avaliados em milhares de euros.

Joaquim Trindade reconheceu que o grupo “não está totalmente desmantelado, mas foi um duro golpe”, e adiantou que cidadãos nacionais poderão ter apoiado as atividades da organização. “Havia uma necessidade enorme de pôr travão à organização, pois estávamos na iminência de um desembarque em costas portuguesas de uma elevada quantidade de cocaína”, justificou.

A investigação “está longe de estar concluída”, afirmou João Garcia, da PJ, sublinhando que esta operação foi “um caso exemplar” de cooperação entre forças de segurança nacionais e internacionais. Os representantes da Polícia Nacional espanhola, Alberto Morales e Emilio Rodriguez, presentes na conferência, garantiram que “a cooperação vai continuar”, destacando ser esta a única forma de combater organizações com “capacidade logística superior”.

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