A Casa do Conhecimento, em Ponte da Barca, acolheu na noite de ontem, 23 de março, a sessão “Territórios de Fronteira, Lugares de Encontro”, uma reflexão em torno da fronteira como espaço de proximidade, solidariedade e cooperação, para além da sua dimensão meramente divisória. O evento, que teve início às 18h00, contou com a participação da arquiteta Patrícia Reis, formada pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) e atualmente a frequentar o Programa de Doutoramento em Arquitetura, como oradora convidada.

Ao longo da sessão, foram apresentados três casos de estudo localizados na raia fronteiriça entre Portugal e Espanha: Couto Misto e Tourém, Povos Promíscuos e Rio de Onor/Rihonor de Castilla. As investigações procuraram demonstrar como a fronteira atravessa e é atravessada pela paisagem, pela comunidade, pela economia e pela língua, revelando formas de habitar que resistem a políticas centralizadas e promovem lugares de encontro mais justos e colaborativos.
A proposta “O Extremo (já não) mora aqui”, desenvolvida pelos estudantes da FAUP Bruna Kühn, Hugo Costa e Marta Ferreira, em colaboração com Patrícia Reis, foi também apresentada durante a sessão. Hugo Costa e Bruna Kühn são estudantes do último ano do mestrado em arquitetura, com experiência Erasmus na IUAV, em Veneza, e em Lausanne. Marta Ferreira, mestre em arquitetura pela FAUP, realizou mobilidade Erasmus em Roma, participou em concursos e iniciativas Design and Build, e estagia atualmente no atelier Bioarch, em Guimarães.
O projeto foi selecionado para a 14.ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, no âmbito do Concurso Internacional de Escolas de Arquitetura e Urbanismo. Centra-se na Barragem do Lindoso, na raia fronteiriça entre Portugal e Espanha, e na aldeia galega de Aceredo, que ficou submersa aquando da construção da barragem. A proposta cria um imaginário distópico sobre as consequências das alterações climáticas, explorando a forma como a água, o território e a memória coletiva interagem com o espaço e a história local, transformando o território num verdadeiro laboratório da água, da comunidade e da memória.
A sessão serviu também para assinalar o Dia Mundial da Água, celebrado a 22 de março, e pôde ser acompanhada presencialmente na Casa do Conhecimento ou online, através de um link disponibilizado no próprio dia. A iniciativa reforçou o papel da instituição como espaço de reflexão e debate sobre questões que cruzam o território, a identidade e o futuro das comunidades de fronteira.




