Foi na manhã de 8 de abril de 1809 que o chão do Alto Minho tremeu ao som de tiros e cavalgadas. As forças de Napoleão Bonaparte, comandadas pelo General Soult, invadiram Ponte de Lima no contexto da Segunda Invasão Francesa.

A resposta não se fez esperar e moradores e militares uniram-se numa resistência corajosa, travando combates violentos na vila e na vizinha freguesia de Arcozelo.
O confronto deixou marcas profundas, literalmente. Um dos símbolos do concelho, a Ponte Medieval, acabou por ser parcialmente destruído após o intenso fogo cruzado entre os invasores, posicionados nas Pereiras, e os defensores, abrigados junto à Igreja de Santo António da Torre Velha, em Arcozelo.
Mas os estragos não se ficaram pelo património. Os soldados franceses pilharam tudo o que encontraram pela frente e cometeram inúmeros assassinatos. As comunidades mais duramente atingidas foram as de Santa Maria dos Anjos, o centro da vila, e a de Arcozelo, onde muitas famílias ficaram de luto.
Hoje, quem visita o Centro de Interpretação da História Militar pode recordar esse período negro. Uma sala inteira é dedicada às Invasões Francesas, exibindo fardas, armas e objetos pessoais que os soldados carregavam nas mochilas — pequenos vestígios de um tempo de guerra que, 217 anos depois, ainda ecoa na memória coletiva de Ponte de Lima.





