Paredes de Coura dá hoje início a um programa cultural que junta num só fio condutor os 511 anos do Foral manuelino e os 52 anos da Revolução de Abril. A abertura acontece hoje com uma conversa entre o presidente da Câmara, Tiago Pereira da Cunha, o presidente da Assembleia Municipal, Augusto Pacheco, e um grupo de alunos da Escola Secundária. O tema é a evolução do poder local, do pergaminho de 1515 às responsabilidades autárquicas do presente. Até 1 de maio, a iniciativa “O caminho da autonomia à liberdade” percorre várias freguesias, misturando memória histórica e criação contemporânea.

O ponto mais alto das comemorações está reservado para o Dia do Trabalhador, no Centro Cultural, com o concerto “Sérgio & os Assessores – Liberdade25”. Sérgio Godinho sobe ao palco para revisitar temas marcantes da música portuguesa, acompanhado pelos alunos da oficina de música do polo de Paredes de Coura da Academia de Música de Viana do Castelo. Antes disso, porém, há um calendário denso que cruza séculos e linguagens.
Na próxima sexta-feira, o Arquivo Municipal recebe uma conferência centrada no documento fundador – os “511 anos do Foral de Paredes de Coura” – novamente com Augusto Pacheco e Tiago Cunha como oradores. Mas é a partir do dia 24 que a programação explode na rua. Na freguesia de Bico, o Largo da Junta acolhe o filme-concerto “Filmou o 25 de Abril?”, uma sessão rara que exibe imagens inéditas da revolução, recolhidas pela Cinemateca Portuguesa, ao som do Space Ensemble. A mesma proposta repete-se em São Martinho a 26 de abril.
No próprio 25 de Abril, a aldeia de Ferreira torna-se o epicentro simbólico da liberdade. Na Casa Nova, às 16h00, o público encontra a escultura sonora “E depois, o tempo”, de João Gigante. Uma hora depois, sobe à cena a performance “O Parlamento das Coisas”, inspirada nos pensadores Bruno Latour e Donna Haraway. À noite, o Centro Cultural assume o protagonismo: primeiro com a curta-metragem “Um lugar que se faz caminhando”, de Rita Senra (21h00), e depois com o projeto comunitário “Coro Livre Canta Abril” (21h30), sob a direção do maestro Luís Miguel Silva.
A 1 de maio, o mesmo Centro Cultural fecha o ciclo com Sérgio Godinho e os seus Assessores. Entre o punho de D. Manuel I – que a 13 de abril de 1515 outorgou o Foral Novo às “Terras de Coyra”, hoje guardado na Biblioteca Nacional – e a coragem dos capitães de Abril, Paredes de Coura escolheu um caminho claro: celebrar a autonomia não como herança morta, mas como construção viva, feita de conversas, imagens, sons e palcos partilhados.





