Sexta-feira, Fevereiro 13, 2026
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Arcos de Valdevez pede apoio do Governo para prejuízos de 2,2 ME

O presidente da Câmara de Arcos de Valdevez disse hoje ter enviado uma carta ao Governo a pedir apoio para enfrentar prejuízos de 2,2 milhões de euros com o mau tempo que afetou o concelho em 27 de janeiro.

No relatório enviado aos ministros das Infraestruturas e Habitação, Ambiente, Economia e Coesão Territorial, aos secretários de Estado do Ambiente e da Proteção Civil, o presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, Olegário Gonçalves, pede “comparticipação financeira dos encargos já suportados em intervenções de emergência, apoio à execução das intervenções estruturais necessárias à reposição integral das condições de segurança, mobilidade e funcionalidade das infraestruturas públicas afetadas”.

Em 27 de janeiro, o mau tempo provocou várias derrocadas, estradas municipais cortadas e inundações causadas pela subida das águas do rio Vez na zona da Valeta, que afetaram vários estabelecimentos comerciais.

Também uma derrocada de grandes dimensões cortou o acesso da aldeia de Sistelo à sede do concelho de Arcos de Valdevez.

“Metade da freguesia está isolada, só tem saída pela estrada que liga Arcos de Valdevez a Monção. No lugar da Igreja a estrada está transitável”, afirmou à data Olegário Gonçalves, referindo ainda que o concelho “acordou com muitos danos causados pela chuva que caiu com intensidade”, mas sem registo de vítimas.

No documento a que a Lusa teve hoje acesso, o autarca social-democrata pede ainda que o Governo tenha em “consideração, no âmbito dos mecanismos de apoio financeiro extraordinário a acionar, os prejuízos económicos sofridos pelo comércio do centro histórico, designadamente através de instrumentos de compensação e apoio à recuperação da atividade económica local”.

O relatório, que constitui “a fundamentação técnica e financeira do pedido”, refere que “a dimensão e natureza dos prejuízos identificados, incluindo encargos já suportados pelo Município e intervenções estruturais ainda por executar, ultrapassam claramente a capacidade de resposta ordinária do orçamento municipal, colocando em causa a execução de outras responsabilidades essenciais, caso não seja assegurado apoio financeiro externo”.

De acordo com a natureza dos prejuízos, o valor estimado em intervenções de emergência já executadas pela autarquia ronda os 80.000 euros, em mobilização urgente e continuada de meios humanos e mecânicos municipais, limpeza imediata de derrocadas em estradas municipais, remoção de árvores caídas ou em risco iminente de queda, transporte, deposição e gestão de materiais resultantes das ocorrências e, ações urgentes de reposição mínima das condições de segurança e acessibilidade.

Já as intervenções estruturais a executar representam, “numa fase preliminar”, 1.820.000 euros, pelos prejuízos económicos causados pela intempérie que no comércio do centro histórico causou 300 mil euros de danos.

“Encontra-se em fase de levantamento técnico detalhado e planeamento um conjunto alargado de intervenções de caráter estrutural, indispensáveis para a reposição definitiva das condições de segurança, funcionalidade e durabilidade das infraestruturas públicas afetadas”, adianta o relatório.

O levantamento dos prejuízos, iniciado no domingo e “em atualização contínua”, prevê intervenções como “a reparação e consolidação de estradas municipais afetadas, estabilização de taludes adjacentes à rede viária municipal, construção, reconstrução e reforço de muros de suporte de plataformas rodoviárias e, contenção de material solto e instável, prevenindo novos deslizamentos”.

As ações planeadas passam ainda pela “desobstrução de aquedutos existentes e construção de novos aquedutos em locais onde as estruturas foram destruídas ou perderam funcionalidade, reparação de troços da ecovia municipal, afetados por deslizamentos, abatimentos e danos estruturais provocados pela instabilidade dos solos e pela ação prolongada da água e, a resolução das situações identificadas e ainda não intervencionadas de derrocadas na rede viária municipal e de árvores em risco de queda”.

“Estas intervenções revestem-se de caráter estrutural, permanente e inadiável, sendo essenciais para garantir a segurança de pessoas e bens, a continuidade da mobilidade municipal e a proteção do investimento público existente”, sustenta a autarquia.

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

 

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