O adro de Cabaços acolhe hoje, sábado, 26 de setembro de 2026, às 21 horas, a Lagarada à Moda Antiga, uma das iniciativas das Festas de Samiguel de Cabaços. A proposta vai além da recriação de um costume e procura evocar um modo de vida e de trabalho que, durante muitos anos, marcou as terras de Cabaços.
Em tempos passados a vindima era encarada como mais do que a colheita das uvas. Representava também a reunião de familiares, vizinhos e amigos, a partilha de tarefas, o trabalho lado a lado e a celebração do esforço comum. É esse labor tradicional que a iniciativa pretende recordar.
Com os cestos cheios de uvas, a actividade arranca segundo os moldes de antigamente. Parte das uvas segue para o lagar, onde será pisada por pés descalços,sendo que quem quiser participar terá de passar primeiro pelo tradicional lava-pés. Outras uvas passam pela raladeira, accionada pela força dos braços, recuperando gestos antigos que, durante gerações, fizeram parte da vida agrícola das aldeias.
Depois de produzido, parte do vinho será colocado em cabaços, cabaças tratadas e preparadas com cuidado para guardar e transportar vinho, conhecidas como cabaças de vinho. Estes recipientes, associados à vida rural de outros tempos, estão também representados na heráldica da freguesia.
Entre o ruído da raladeira, o aroma das uvas recém-esmagadas e o mosto a formar-se, a iniciativa pretende trazer de volta um pouco do que era uma lagarada e, desta forma, recuperar uma tradição agrícola e dar a conhecer e valorizar elementos da história e da identidade de Cabaços.
Antigamente, o trabalho era feito em conjunto. Uns transportavam os cestos, outros pisavam as uvas, outros ajudavam na raladeira, e havia sempre quem cantasse, tocasse ou apenas fizesse companhia. No final, o vinho era o produto da vindima e, ao mesmo tempo, da terra, do trabalho, da entreajuda e da comunidade.
É esse espírito que a iniciativa quer reviver. Por isso, os participantes são convidados a levar concertina, cavaquinho, castanholas ou, simplesmente, vontade de cantar e de participar. Ao longo do serão, vários grupos juntar-se-ão à festa e, enquanto houver uvas para esmagar, haverá música tradicional, cantigas e animação em torno do lagar.
Depois de terminado o trabalho, arrumados os cestos, esmagados os últimos bagos e lavados novamente os pés, a noite ganha outro ritmo. As concertinas dão lugar a outros sons e os mais novos mostram como se vive hoje uma noite de festa.
A animação prossegue com o DJ M, reunindo na mesma noite gerações distintas, músicas diferentes e a mesma vontade de estar junto.
A organização apela a quem se desloque ao adro para que não fique apenas a assistir, mas que participe, recorde, aprenda, cante, trabalhe e faça parte desta tradição.
“Nenhuma lagarada alguma vez se construiu em solidão. Sempre dependeu de muitas mãos, muitos pés e muita gente reunida em torno do lagar“, assegura a organização dirigindo o convite à população para que participe no evento.




