Segunda-feira, Fevereiro 6, 2023

Ano 113 - Nº 4892

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Estado do rio preocupa e um novo açude era bem-vindo

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Em dia de festa estivemos à conversa com a pessoa que, em Ponte de Lima, mais tem festejado nos últimos tempos.

Falamos de Fernando Pimenta, o atleta limiano que teima em festejar, cada vez mais, conquistando sucessivas medalhas e espalhando o nome de Ponte de Lima pelo país e pelo mundo.

O atleta falou-nos do seu percurso, da forma como tudo começou e, já com os olhos postos em Paris, assegura que a meta olímpica se faz com os pés bem assentes na terra.

CS – Como se faz um campeão?

FP – Faz-se definindo objectivos e metas acrescidos de muito trabalho e sacrifício.

Como descobriu a canoagem?

Foi nas férias desportivas em 2001. Nessa altura, durante as férias de verão, tive a possibilidade de experimentar a canoagem e ter também o meu tempo livre ocupado durante as férias. Foi ai que tive o primeiro contacto com a canoagem.

No final das férias, já em setembro, após o início das aulas, um colega meu, que já praticava canoagem, falou com o Hélio Lucas e, nessa altura, foi convidado para integrar a equipa de competição, uma equipa que treina o ano todo.

Quando descobriu que a canoagem seria a sua modalidade de eleição?

Desde o início eu tive uma forma diferente de interagir com a canoagem, porque esta é uma modalidade super desafiante, Coloca-nos constantemente à prova.

De qualquer maneira eu nunca tive um momento em que eu tenha dito “eu gosto mesmo disto”, ou “quero fazer isto o resto da minha vida”.

Nunca houve esse momento. O que aconteceu foi ter momentos onde pude experimentar a modalidade,  testar a modalidade, e de criar um grupo de amigos saudável que sempre estiveram ligados à canoagem.

Quando se assumiu como profissional da modalidade?

O momento em que passei a semi-profissional foi em 2009/2010. Na altura consegui atingir o patamar de atleta em preparação olímpica e, a partir dai, já tinha um vencimento, que era fruto dos resultados do ano anterior.

A partir daí passei a ter outra estabilidade que me permitiu focar ainda mais na modalidade.

É já um bom colecionador de medalha. Como está a “contabilidade” das medalhas?

São já 121 medalhas conseguidas.

Porventura será o mais medalhado atleta português…

Essas contas não estão feitas. Poderei ser um dos atletas portugueses mais medalhados em competições de grande relevo, mas realmente não sei.

Tenho já 21 medalhas de ouro em regatas do mundo, 4 de ouro nos campeonatos do mundo, 9 em campeonato da europa… Enfim, é gratificante.

As medalhas são a parte visível de todo um trabalho feito na preparação. Como é essa preparação?

Temos um tipo de preparação bastante abrangente e de muito tempo.

Normalmente temos uma época muito longa, são cerca de nove meses sem pausas.

Basicamente o treino é distribuído uma parte para desenvolver a resistência, com um grande volume de trabalho, e depois vamos progredindo e obtendo mais intensidade.

Esta é uma modalidade que exige muita resistência.

Fazemos também outras modalidades para complementar a canoagem, como a corrida, o ciclismo, ginásio e natação.

Estas outras modalidades acabam por nos complementar e ajudar a sermos melhores na nossa especialidade.

Tornou público que, em Munique, o seu esforço na prova foi levado ao limite, chegando mesmo a ficar com a visão turva. É sempre assim nas competições?

Todos os dias temos que colocar-nos à prova e tentar mostrar a nossa melhor prestação e eu até em treinos vou bastantes vezes ao limite.

Aquela prova foi mesmo muito dura, isto porque eu tive que recuperar de uma prova bastante intensa nos 500 metros e, no dia a seguir, dos mil metros.

Na prova dos 1000 metros tentei atacar o mais forte possível no início, mas, na parte final, “paguei a factura”, fruto do cansaço resultante da participação em provas dos dias anteriores.

Este último fim-de-semana participou no apuramento para a Maratona. Vamos ter Fernando Pimenta nas provas longas?

Sim, participei nas selectivas nacionais de maratonas e foi recebendo muitas mensagens de apoio e incentivo. Não foram só de atletas especializados na modalidade, mas também de gente que gosta e vibra com o desporto.

Se tudo correr bem serei selecionado para o Mundial de Maratonas, que se realiza em Ponte de Lima no final do mês.

Muita gente já me mandou mensagens a dizer que vão estar presentes. Pedem-me que eu faça mais um esforço para que todos me possam ver a competir no “Mundial” em Ponte de Lima.

Mas a maratona não é a sua “praia”…

Não. A minha especialidade são os 1000 metros. As maratonas são distâncias mais longas, são praticamente 30 km.

Este fim-de-semana tivemos a selectiva nacional, aqui em Ponte de Lima. Eu venci na sexta-feira a “short race”, no sábado venci também a maratona e, no domingo,  juntamente com o José Ramalho, que é especialista na maratona, conseguimos vencer a prova do k2, o que nos dá a possibilidade de participar e  esperar um bom resultado.

A existência do Centro Náutico influenciou a sua carreira?

Sem dúvida que se não houvesse o Centro Náutico não havia canoagem. Se não houvesse canoagem, o Pimenta não  teria praticado a modalidade que pratica hoje.

Recordo quando construíram o Clube Náutico. Na altura constava por aí que era um elefante branco, que era mais uma obra acima da escala que era necessário. Pois, temos vindo a ver que afinal assim não era.

O CN tem vindo a colher os seus frutos.

É exemplo disso a Beatriz Fernandes, uma jovem atleta de canoagem, que este fim-de-semana conseguiu sagrar-se campeã do mundo de C1 200 metros.

A atleta obteve mais duas medalhas, uma de prata e uma de bronze e é, sem dúvida, uma jovem promissora na modalidade.

O CN tem muitos bons exemplos de atletas que já obtiveram bons resultados, quer nacionais, quer internacionais.

Em termos nacionais o CN de Ponte de Lima é o maior clube nacional. Há já 14 anos que o clube é campeão nacional no resultado obtido depois do somatório das mais diversas vertentes da canoagem.

Hoje o CN continua a criar jovens campeões, não só  dentro de água, mas também fora dela.

Acha que se pode fazer mais pela modalidade em Ponte de Lima ou está tudo a correr bem?

Nós atletas, como e óbvio, pedimos sempre mais.

Mas, se há clube em Ponte de Lima que é meritório de todo e qualquer tipo de apoio, esse clube é o CN, já que somos campeões nacionais para todo o efeito.

Temos atletas internacionais nos mais diversos escalões e somos, sem dúvida, os embaixadores de Ponte de Lima por todo o país por todo o mundo.

E a possibilidade de algum tipo de ajuda é sempre bem-vindo.

O estado do rio preocupa-o?

Sim, sem dúvida. O rio é uma preocupação acrescida para nós. Nesta altura é o caudal, que está baixo, mas temos também o caso das algas…

Em termos desta praga das algas infelizmente esse é um problema não só de Ponte de Lima, mas também um pouco por todo o pais em vários rios.

Aparecem nos rio Cávado e no rio Minho, por exemplo.

Infelizmente tem-se assistido à propagação desta alga, pelo que é necessário arranjar uma solução para resolver o problema.

As algas acabam por dificultar a prática da modalidade…

Sim e muito. Imaginemos os nadadores da piscina a terem que nadar nams piscina com algas, ou jogadores de futebol a jogarem com a erva dá pelos joelhos…

Uma reivindicação do CN é um novo açude. Não serve a canoagem o actual açude?

É preciso alterar a presente situação. É necessário construir o açude de uma forma diferente, com comportas, que permitam a movimentação da areia que se vai acumulando ao longo dos anos.

Deixo aqui o meu repto para que se avance com a construção desse açude, que será uma obra importante para o clube, mas também para Ponte de Lima em termos de paisagem.

O seu nome foi atribuído ao Centro Naútico. Como recebeu essa iniciativa?

Inicialmente achei exagerado, porque eu tenho feito o meu trabalho e seguido o meu caminho para conquistar os melhores resultados para Portugal e para Ponte de Lima.

Depois acabou por me “cair a ficha” e recebi, como é óbvio, com bom agrado. Gostei, até porque eu acho que essa é também uma forma dos mais jovens verem que o seu trabalho pode ser reconhecido.

Sente que Ponte de Lima está consigo?

Sim, sem dúvida. Acho que sim. Eu também levo a bandeira de Ponte de Lima para todo o lado que vou e sinto muito orgulho em ser limiano.

Isto também faz com que eu seja uma imagem de marca de Ponte de Lima.

O ano de 2023 será de preparação para os Jogos Olímpicos. Como está planeado esse trabalho?

Primeiro teremos o apuramento olímpico, que ocorrerá em Agosto de 2023. Só depois do apuramento é que se pode falar dos jogos olímpicos.

O trabalho é feito passo a passo, sem saltar etapas.

É preciso ter consciência que dar um passo maior do que a perna origina um tombo maior, mas, de qualquer forma,  a aposta é o apuramento para Paris.

E vamos ter Pimenta até quando?

Não sei, mas enquanto eu me sentir feliz, com capacidade de obter bons resultados e me sentir concretizado na modalidade irei continuar.

Ainda tem mais uma competição antes de ir de férias. Que prova é essa?

Trata-se da Maratona para o Campeonato do Mundo que se irá realizar em Ponte de Lima.

Aproveito esta oportunidade para apelar a todos que apareçam em força, de 26 de setembro a 2 de outubro, nas margens do rio Lima, em Ponte de Lima, para assistir a um excelente espectáculo desportivo. Que todos venham com força para nos apoiarem.

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