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Valença assinala Dia dos Monumentos com visita guiada ao Mosteiro de Sanfins

O Município de Valença assinalou o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios com uma visita guiada ao Mosteiro de Sanfins de Friestas, que contou com a participação de cerca de 50 pessoas. A iniciativa foi orientada por Luís Fontes, doutorado em Arqueologia pela Universidade do Minho, e contou ainda com as presenças do presidente da Câmara Municipal de Valença, José Carpinteira, e dos vereadores Óscar Silva e Patricia Felgueiras.

Ao longo do percurso, Luís Fontes foi descrevendo pormenorizadamente cada espaço do mosteiro, desde a igreja, o claustro, a sala do capítulo, o refeitório, a cozinha e as celas dos monges, até às dependências agrícolas e à cerca monástica. O arqueólogo fez questão de referir também espaços que outrora existiram, mas que, entretanto, foram intervencionados e retirados, uma realidade que apontou como um erro cometido à época. “Hoje em dia não se faria isso”, lamentou, explicando que as intervenções contemporâneas privilegiam a preservação em vez da remoção de vestígios. Deu como exemplo antigas estruturas que foram eliminadas em benefício de uma “limpeza” estética, algo que, no seu entendimento, empobrece a leitura histórica do monumento.

Durante a visita, o arqueólogo defendeu que o essencial para o monumento “é começar a dar-lhe uso, manter os espaços limpos, acessíveis e desenhar, provavelmente no futuro, uma espécie de plano diretor”. Para Luís Fontes, o mosteiro pode funcionar “como uma espécie de quinta pedagógica”, permitindo falar das arquiteturas, da organização da propriedade e recuperar práticas tradicionais de construção. Sublinhou ainda que “o monumento tem de ter sempre associada uma oferta para o educativo”, defendendo uma intervenção faseada: “ir fazendo as coisas a pouco e pouco. Isso permite ajustar tendências”.

Questionado sobre a dificuldade dos recursos, Luís Fontes reconheceu que o problema é real. Os investimentos são avultados e, no caso de Valença, o município tem um “património vastíssimo, riquíssimo”, e tem de definir prioridades. “Tem a própria fortaleza, tem aqui o convento, o mosteiro de Sanfins, e tem um dos mais notáveis conjuntos de arte rupestre do norte de Portugal, espalhados por todo o território, mais de 100 lajes com gravuras rupestres, e que ainda não são suficientemente conhecidas nem divulgadas”. Já estudadas, sim, mas falta criar trilhos e rotas.

Em declarações durante o evento, José Carpinteira sublinhou que o objetivo passa por “valorizar o património cultural e sensibilizar para a sua preservação”. O autarca adiantou que estão já planeadas obras no mosteiro, nomeadamente a recuperação do telhado, que evidencia já algumas infiltrações, bem como outras pequenas intervenções de reabilitação do património. Segundo o presidente da Câmara, o concurso para estas obras estará já em curso.

José Carpinteira reconheceu, no entanto, que uma recuperação total do mosteiro representaria um investimento de muitos milhões de euros, razão pela qual a intervenção terá de ser feita de forma faseada, uma visão alinhada com a proposta do arqueólogo. “A recuperação tem que ser feita de forma faseada, por isso está já prevista algumas obras de beneficiação, nomeadamente do telhado”, afirmou.

O Município de Valença tem já um historial de investimento no local. A principal aposta da autarquia foi o Centro Interpretativo do Mosteiro de Sanfins (CIMOS), inaugurado em 22 de abril de 2025. Com um investimento de cerca de 255 mil euros, financiado por fundos comunitários (FEDER), a Câmara requalificou a antiga Casa dos Caseiros e criou um centro de acolhimento e interpretação, que oferece uma experiência imersiva sobre a história e os valores naturais do mosteiro.

Em paralelo, o município tem apostado na valorização da paisagem e do espaço público, desenvolvendo várias ações de manutenção e requalificação da Quinta do Mosteiro, como a limpeza e desmatação dos terrenos, a intervenção nos socalcos e a criação de trilhos pedestres. A dinamização cultural tem sido outra aposta, com o mosteiro a servir de palco para eventos como o “Sanfins Medieval”, que ajuda a fixar a sua imagem na comunidade e a atrair visitantes.

A visita guiada terminou com uma sugestão aos participantes convidando-os a prolongar a experiência visitando o Centro Interpretativo do Mosteiro de Sanfins (CIMOS) ou percorrendo os vários trilhos pedestres existentes nos 23 hectares da propriedade, que atravessam áreas de grande valor paisagístico e histórico.

No final, o vereador Óscar Silva ofereceu uma lembrança ao arqueólogo como forma de reconhecimento pelo seu trabalho de divulgação e valorização do património valenciano.

 

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