InícioVALE DO LIMAPONTE DE LIMAEstudo revela níveis críticos de poluição na Escola Básica de Freixo

Estudo revela níveis críticos de poluição na Escola Básica de Freixo

O caso mais emblemático das conclusões preliminares do projeto-piloto “Respirar Fundo” sobre a qualidade do ar em escolas reporta-se à Escola Básica de Freixo, no concelho de Ponte de Lima, onde os níveis de partículas finas (PM2.5 e PM10) registaram excedências pontuais aos valores-limite em vigor, com picos particularmente acentuados durante a noite e ao fim de semana. A situação, revelada na passada segunda-feira pela Associação Bora Ambientar, no Dia Internacional do Ar Limpo para o Céu Azul, aponta para a influência de fontes externas à atividade escolar, como sistemas de aquecimento a biomassa, queimadas e poeiras, que comprometem a qualidade do ar que respiram alunos e professores.

O estudo, cofinanciado pela União Europeia, monitorizou 13 escolas de ensino básico e secundário em dez concelhos, desde Ponte de Lima até Sesimbra, através de estações portáteis equipadas com sensores para medição contínua de partículas em suspensão, dióxido de azoto (NO₂) e ozono troposférico. Os relatórios produzidos pelo Centro de Investigação Ambiental e de Sustentabilidade (CENSE) abrangeram 12 estabelecimentos – a escola de Ílhavo só terá monitorização no próximo ano letivo – e revelaram que, na generalidade, os perfis horários dos poluentes são consistentes com a influência do tráfego rodoviário, com aumentos nas horas de ponta da manhã e da tarde.

Para além do caso de Ponte de Lima, a EB de Manhente, em Barcelos, e a Escola Secundária António Sérgio, em Vila Nova de Gaia, surgem também como locais com ocorrências mais frequentes de excedências, sobretudo durante a noite e aos fins de semana, sugerindo igualmente a interferência de fatores externos. Em Gaia, a recorrência de episódios acima do valor-limite legal de 40 microgramas por metro cúbico para o dióxido de azoto mereceu especial atenção dos investigadores, que alertam para a necessidade de monitorização continuada, uma vez que as crianças e os jovens são particularmente suscetíveis aos efeitos respiratórios deste poluente.

As conclusões vão mais longe ao assinalar que, em nove das 12 escolas monitorizadas, se a análise tivesse considerado os valores-limite mais restritivos da Diretiva Europeia 2024/2881, que só entrará em vigor em 2030, teriam sido detetadas muitas mais situações de incumprimento, com concentrações médias anuais de PM2,5 e de NO₂ superiores ao permitido em vários dias analisados. Embora as excedências aos limites atuais sejam pontuais, os dados evidenciam que a qualidade do ar em redor dos estabelecimentos de ensino está longe do desejável e que as redes oficiais de monitorização, por estarem localizadas em pontos fixos, não conseguem captar com precisão os níveis de exposição em locais específicos como as escolas.

Desde setembro do ano passado, o projeto “Respirar Fundo” envolveu cerca de 1.500 alunos e mais de 250 docentes do ensino básico e secundário, integrando disciplinas como Geografia, Ciências Naturais e Físico-Química. A partir de outubro, a Associação Bora Ambientar avança com uma nova edição, denominada “Respirar+Fundo”, que alargará a monitorização a escolas de outras regiões do país, com o apoio das autarquias, e incluirá atividades paralelas de educação ambiental e a criação de clubes meteorológicos escolares, replicando as experiências bem-sucedidas do projeto-piloto.

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