InícioVALE DO LIMAPONTE DA BARCAFalecimento de Sousa Meira deixa barquenses consternados

Falecimento de Sousa Meira deixa barquenses consternados

Sousa Meira morreu repentinamente este domingo

Foi com profundo pesar que Ponte da Barca recebeu hoje a notícia do falecimento repentino de José Sousa Meira, uma das figuras mais carismáticas e completas da nossa terra. Comerciante de profissão, mas poeta por vocação e pintor por sensibilidade, Sousa Meira partiu de forma inesperada, deixando a comunidade barquense consternada e em silêncio.

A notícia da sua morte gerou uma vaga de comoção no seio da comunidade. José Alfredo Oliveira, vice-presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca, foi uma dessas vozes o expressar o sentimento coletivo numa publicação onde sublinhou a ligação indissociável do homenageado à sua terra, afirmando que “há pessoas que pertencem, de forma indissociável, à alma de uma terra. O Sousa Meira era uma delas.

A sua partida repentina deixa-nos profundamente consternados e sem palavras. É difícil aceitar que alguém tão presente na vida de Ponte da Barca, tão ligado à sua identidade e à sua cultura, nos deixe de forma tão inesperada, sobretudo quando, ainda há tão pouco tempo, partilhava connosco mais uma obra, mais um testemunho do seu amor pela nossa terra”.

O autarca recordou ainda a faceta multifacetada de Sousa Meira, descrevendo-o como alguém que “soube dar voz aos sentimentos de um povo”, transformando em palavras e arte a essência de ser barquense, e escreveu que “mais do que um homem da cultura, parte hoje um dos grandes embaixadores da nossa identidade coletiva”, classificando-o como um homem afável, cordial e amigo de todos, cuja humanidade conquistava quem com ele se cruzava.

O jornal Cardeal Saraiva acompanhou de perto o mais recente marco na vida artística de Sousa Meira, quando, no dia 11 de abril de 2026, noticiámos a apresentação do seu primeiro livro de poesia, intitulado “A Minha Maré”, um evento que ficará para sempre gravado na memória cultural de Ponte da Barca. A sessão teve lugar no Auditório e Arquivo de Ponte da Barca, numa cerimónia memorável conduzida e apadrinhada pelo professor Jaime Ferreri, e que contou ainda com a presença do presidente da Câmara Municipal, Augusto Marinho.

Este foi a primeiro livro de Sousa Meira que incluiu os seus poemas dispersos pelas redes sociais, sem qualquer registo impresso ou digital organizado, tendo sido necessário um trabalho exaustivo de recolha de mais de 130 poemas, dos quais o professor Jaime Ferreri selecionou 70 para integrar essa edição. O professor descreveu a poética de Sousa Meira como espontânea, comparando-a a um rio, escrita “com inocência e dom, sem disso dar conta”, utilizando “metáforas inocentes” que envolvem o leitor numa viagem emocional.

Na altura, o próprio autor, visivelmente emocionado, confessou que escrevia mais de dez poemas por dia, tendo na sua mulher e no mar as principais musas inspiradoras, e num momento de grande cumplicidade com a plateia soltou uma das suas frases mais marcantes, que traduz a sua essência e devoção: “Catolicamente, na igreja deviam dizer-se poemas em vez de rezar”, rematando, num arrebate final de amor à sua terra: “Ponte da Barca é poesia.” Sousa Meira permanecerá agora vivo na sua obra, nas suas palavras e na memória daqueles que tiveram o privilégio de o conhecer.

O jornal Cardeal Saraiva endereça as mais sentidas condolências à família e amigos de Sousa Meira.

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