Sexta-feira, Abril 17, 2026
publicidadepublicidade
InícioVALE DO LIMAARCOS DE VALDEVEZ"Sei de um Livro": a máquina de escrever que denuncia a indiferença

“Sei de um Livro”: a máquina de escrever que denuncia a indiferença

Não é todos os dias que uma máquina de escrever se torna personagem. Mas no mais recente romance da arcuense Albertina Fernandes, “Sei de um Livro”, o velho mecanismo de teclas ganha voz para trazer de volta as memórias de um pai de família e, com elas, um retrato sem concessões da sociedade contemporânea.

Apresentada no sábado no Centro Interpretativo do Barroco, em Arcos de Valdevez, a obra chega como um marco na carreira da professora e mestre em Literatura Francesa, que já soma 14 títulos publicados. Mas, ao contrário de uma simples adição à sua bibliografia, “Sei de um Livro” é descrito pela poeta Conceição Lima, responsável pela apresentação, como um exercício de expurgo emocional. Escrever para libertar memórias marcadas por dor e cicatrizes.

A família retratada, um casal com duas filhas, um filho, uma nora e uma tia madrinha, serve de espelho para os defeitos e qualidades de um tempo em crise. Ambição e indiferença perante o sofrimento alheio são dois dos temas que atravessam a narrativa, transformando histórias privadas numa crítica social ampla.

A vice-presidente da Câmara Municipal, Emília Cerdeira, presente na sessão, destacou precisamente esse papel. Chamar a atenção para a falta de valores que atravessa a sociedade atual. Já a autora, Albertina Fernandes, preferiu sublinhar o lado pessoal da escrita, uma fonte de felicidade e, neste caso, uma homenagem ao pai.

O momento musical, protagonizado pelo filho da escritora, Miguel Tela, trouxe um instante de intimidade ao evento, que terminou com um recado claro. Em Arcos de Valdevez, a literatura continua a ser um lugar de reflexão, mesmo quando o tema é a dor

Artigos Relacionados
PUB

Mais Popular

Comentários Recentes