Quinta-feira, Abril 16, 2026
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“A Minha Maré” levou Ponte da Barca a navegar entre a poesia e a emoção

Sousa Meira apresentou hoje o seu primeiro livro na vila que lhe serve de berço e inspiração. Jaime Ferreri apadrinhou a obra e fez a apresentação do autor.

O Auditório e Arquivo de Ponte da Barca transformou-se num “ancoradouro” de versos. O livro “A Minha Maré”, obra de estreia do poeta Sousa Meira, natural de Ponte da Barca, foi apresentado ao público numa sessão que contou com a presença do autor,  Jaime Ferreri, Augusto Marinho, presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca, e uma vasta audiência.

A cerimónia, descrita pelos presentes como “memorável”, seguiu o curso natural de um rio que desagua no mar da emoção. Coube a Jaime Ferreri a tarefa da apresentação obra e do autor como quem entrega uma carta de navegação a um novo marinheiro das letras.

Sousa Meira, 70 anos de idade, exerce a profissão de comerciante e tem uma longa relação com a escrita. Ao longo dos tempos, publicou os seus poemas no jornal Notícias da Barca e foi ainda colaborador desportivo na Rádio Barca.

Segundo Jaime Ferreri, a iniciativa de publicar o livro partiu do próprio autor que lhe solicitou ajuda na tarefa. Solicitado a fornecer os poemas, o autor respondeu que não possuía qualquer registo impresso ou digital organizado: o material encontrava-se disperso nas redes sociais.

Foi então necessário um trabalho exaustivo de recolha, que permitiu compilar mais de 130 poemas. Jaime Ferreira procedeu à triagem e selecionou 70 deles, que deram origem à obra agora apresentada.

Jaime Ferreri confessou ter-se empenhado neste livro como se fosse seu. Além de professor, Jaime Ferreri é também autor e editor de várias obras, pelo que o seu desempenho estava assegurado.

Jaime Ferreri assegurou que o poeta autor tem uma poesia espontânea, “é  como um rio”. Sousa Meira escreve “com inocência e dom, sem disso dar conta”. Ele usa “metáforas inocentes’ que envolvem o leitor.

A sua intervenção preparou o terreno para o momento em que o próprio Sousa Meira tomaria a palavra. E a noite ganhou a sua verdadeira maré.

O autor não se limitou a ler poemas ou a agradecer presenças. Proferiu desnudar o seu processo criativo, assumindo a “pancada” que o move.

“Catolicamente, na igreja deviam dizer-se poemas em vez de rezar”, confessou o poeta, arrancando sorrisos e cumplicidades à plateia. E rematou, numa declaração de amor à sua terra que é já um manifesto: “Ponte da Barca é poesia.”

O autor emocionado falou da sua naturalidade em escrever poesia. Todos os dias escreve mais de dez poemas. A principal inspiração para a sua criação poética está na mulher e no mar, confessou o poeta.

Após as declamações e a partilha íntima do autor sobre a génese da sua escrita, foi a vez de Augusto Marinho, presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca, usar da palavra.

Num discurso “de coração aberto”, o autarca começou por se associar as palavras de Jaime Ferreri. Augusto Marinho mergulhou na substância do momento para falar da matéria-prima da poesia. Fez alusão à  forma como o autor se entrega à poesia e à sua terra natal. “De facto, a Barca é assim, retratou muito bem a barca”‘, assegurou o autarca.

Hoje aqui “sentiu-se emoção, sentimos até o futuro em obras que irão nascer”, garantiu Augusto Marinho, desejando ao novo autor o que de melhor se pode desejar a um escritor: “Que este percurso literário encontre sempre mais chão e vento de feição, e nós cá estaremos todos para acompanhar todo este percurso.” E deixou um último agradecimento: “Muito obrigado pela partilha e sobretudo pela coragem da publicação e partilha dos seus poemas.”

Com “A Minha Maré”, Sousa Meira lança-se às águas da literatura portuguesa. E, a julgar pela noite de hoje, a sua Barca poética tem já garantidos o chão firme da sua vila e o vento de feição de quem o leu e ouviu

 

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