Segunda-feira, Novembro 28, 2022

Ano 113 - Nº 5275

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OPINIÃO | A guerra e o regresso da censura

           De um modo já objetivo, o Ocidente está em guerra, não declarada, com a Rússia, bem como com a Bielorrússia. E é neste contexto que tem de interpretar-se a recente criação da censura em Portugal, bem como no seio da União Europeia. É caso para que se diga: quem diria que, à beira de meio século sobre a Revolução de Abril, nos surgiria, mais uma vez, a censura?!

A uma primeira vista, o leitor poderá pensar que se trata, apenas, de uma reação à propaganda do Governo da Rússia, mas a grande verdade é que não só o não é, como se está já a entrar num tempo novo, no qual novos espaços da grande comunicação social irão ser alvo do regresso da censura.

Há muito tinha por hábito diário a leitura do que pudesse interessar no sítio da Sputnik Brasil. Raramente utilizei o Russia Today, ou o China Today. A verdade é que se tornava simples perceber o que poderia ser propaganda e o que era notícia válida e útil.

Tempos houve em que fui recebendo, após pedido, a revista Notícias da OTAN, em língua portuguesa, e que me chegava a partir do Ministério dos Negócios Estrangeiros. E passei também a receber, a partir de França, o boletim Est et Ouest, dirigido pelo nacionalista da Extrema-Direita, George Albertini. Ambas as publicações se destinavam a disseminar o perigo comunista, no segundo caso com um suposto pormenor ao nível do continente e de cada um dos seus países. Eram, todavia, publicações propagandísticas anticomunistas. Simplesmente, nem um bom papalvo conseguiam enganar. E também fui lendo, por iniciativa minha, o Militante, que servia para olhar o que se passava com a estrutura organizativa do PCP. Bom, nem por isso me tornei adepto da OTAN, nem da Extrema-Direita ou do PCP.

A consulta do sítio da Sputnik Brasil era muitíssimo útil. Nela surgiam textos sobre material militar russo, sendo de colocar de lado tudo o que pudesse ser propaganda e incontrolável. Todavia, ensinava, por igual, muito de natureza política e histórica, sendo também simples perceber a verdade da generalidade destas notícias. Nunca me tornei pró-russo pela consulta da Sputnik Brasil, nem deixei de ser antiamericano desde sempre. De resto, nunca esqueci a crise do Suez, nem Dien Bien Phu, nem as armas de destruição maciça do Iraque, que nunca haviam existido, nem a receção de Holden Roberto pelo nosso dito aliado norte-americano, mas com o nome de José Gilmore. Bastou-me estar vivo e atento ao que se passou na Revolução de Abril para perceber a inenarrável boca de Pedro Duarte, há dias, sobre a ditadura comunista que teria estado prestes a implantar-se em Portugal durante o tempo do PREC!!!

O que agora se está a passar com a Sputnik Brasil e com a Russia Today é um primeiro passo na reimplantação da censura, após o que se seguirá a aplicada ao China Today, etc.. Não pode ser uma consequência de falsas notícias, ou de propaganda russa, porque falsas notícias é uma marca típica da política. E depois, cada país também pratica a sua propaganda. É por isso que têm vindo a surgir programas destinados a esclarecer a verdade por detrás das referidas mentiras.

Um dado é agora certo: o que nos vai sendo debitado pelos canais autorizados passa a ser duvidoso, dado que a parte posta em causa por tais meios deixou de ter contraparte. Passámos a receber acusações sobre a Rússia e a Bielorrússia, mas sem que estas possam mostrar os seus pontos de vista. A partir daqui, começa a escrever-se uma história sobre o que está a ter lugar, mas sem que uma das partes possa ser escutada pelo resto dos portugueses. É, pois, o regresso da censura, inscrito na lógica da guerra que a OTAN foi construindo contra a Rússia desde há muito. Foi desta lógica que saíram as ideias da reforma do Conselho de Segurança, mas também do fim das armas nucleares, incluindo a sua posse. E lá nos foi dado saber que o Presidente da França referiu ao Presidente Vladimir Putin que a OTAN tinha uma estrutura militar superior à da Rússia, o que levou este, naturalmente, a responder que o seu país possuía armas nucleares. Ou seja: o fim da sua posse tinha como objetivo colocar a Rússia à mercê dos Estados Unidos e do Ocidente, em geral…

Por fim, a ida do Papa Francisco à Embaixada da Rússia na Santa Sé. A verdade é que se o problema era o da Paz, o Papa do tempo, mesmo sabendo que o Iraque não dispunha de armas de destruição maciça – recordar Jacques Chirac, Dominique de Villepin e Hans Blix –, nunca procedeu de igual modo para com os Estados Unidos. Um dado já hoje não se consegue esconder: existe um conflito de civilizações, porque uma coisa é gente branca e cristã, outra, muçulmanos ou pretos. E já reparou que se fala sempre dos judeus assassinados por Hitler e seus sequazes, mas nunca dos ciganos que o foram também? E depois disto tudo, em que é que ainda tem dúvidas?

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