A Polícia Judiciária abriu um inquérito ao caso do acesso indevido a registos de utentes do Serviço Nacional de Saúde, entre os quais crianças, na sequência de suspeitas de utilização por terceiros das credenciais de um médico da Unidade Local de Saúde do Alto Minho. Em comunicado, a ULS do Alto Minho esclareceu que, tendo ouvido o médico, tudo indica que as suas credenciais foram comprometidas, não tendo os acessos sido realizados pelo profissional. “O compromisso das credenciais do médico terá resultado no acesso indevido a registos administrativos, não clínicos, de diversos utentes, entre os quais crianças”, lê-se no documento, que acrescenta que a instituição já informou as entidades competentes para a apreciação de possíveis atos ilícitos.

O caso surgiu após denúncias e relatos de utentes nas redes sociais sobre notificações de acesso aos seus processos através do SNS 24, o que levou à apresentação de queixas junto de várias entidades de saúde. Um pai de uma criança de quatro anos contou que soube do acesso ao registo do filho através de mensagens trocadas num grupo de pais no WhatsApp e referiu que “os acessos são às centenas na zona norte e centro do país”. Segundo relatos de vários pais de um colégio da região Norte, os acessos aos processos ocorreram durante a madrugada e o início da manhã de hoje e, pelo menos num caso, abrangeram os registos do agregado familiar.
O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, afirmou que recebeu dezenas de queixas relativas a uma alegada consulta indevida de processos clínicos de crianças por parte de um médico da ULS do Alto Minho, num caso que aponta para uma possível falha de cibersegurança no SNS. A Ordem enviou ofícios ao Ministério Público, aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e à ULS do Alto Minho e está a acompanhar a situação. “Parece que estamos perante uma situação de cibersegurança, de falha em termos de segurança informática”, declarou o bastonário, ressalvando que essa suspeita ainda tem de ser apurada pelas entidades competentes.
Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) afirmaram que não comentam casos concretos relacionados com matérias de segurança ou cibersegurança, mas asseguraram que todas as comunicações sobre estes possíveis incidentes são analisadas e que estão “em permanente articulação com as autoridades competentes”.



