A vila de Baiona despediu-se ontem da 30.ª edição da Festa da Arribada, após três dias de recriação histórica que evocaram a chegada da caravela La Pinta em 1493. O evento, que este ano assinalou três décadas de existência, voltou a encher as ruas do centro histórico de visitantes e figurantes trajados a rigor, num dos maiores festivais de recriação histórica da Galiza. A organização estima que mais de 200 mil pessoas tenham passado pelo concelho ao longo do fim de semana, confirmando a capacidade da festa para atrair públicos fora da época alta.
O presidente da Xunta, Alfonso Rueda, deslocou-se a Baiona no sábado para assistir às comemorações e deixou elogios à organização e à dimensão do evento. Durante a sua intervenção, Rueda sublinhou que a Festa da Arribada é “o melhor exemplo de como a Galiza sabe cuidar da sua história e transformá-la num motor de projeção exterior”. O responsável enquadrou a celebração na marca “Galicia Calidade”, afirmando que Baiona é “um dos concelhos de referência no turismo na comunidade, uma amostra da Galicia Calidade que estamos a reivindicar outra vez”.
Rueda recordou o feito histórico ocorrido há 533 anos, quando a caravela La Pinta atracou no porto de Baiona, tornando a vila no primeiro lugar da Europa a ter conhecimento da existência do Novo Mundo. Agradeceu ainda a implicação de comerciantes, associações culturais e da vizinhança, que tornam possível que a festa se mantenha ano após ano como um atrativo para locais e visitantes. “Abrimos os braços a todos os que queiram vir, aqui não sobra ninguém”, afirmou, numa alusão ao crescimento do Caminho Português da Costa, que em 2025 registou um aumento de 20% no número de peregrinos, muitos dos quais passaram por Baiona durante o fim de semana e puderam vivenciar o ambiente medieval da vila.
O momento alto do programa voltou a ser a representação teatral do desembarque, encenada na praia da Ribeira, que recriou o instante em que Martín Alonso Pinzón deu a conhecer às autoridades locais a descoberta da América. A peça contou com a participação de atores galegos conhecidos e foi acompanhada por milhares de pessoas ao longo do sábado e do domingo.
A edição do 30.º aniversário trouxe várias novidades, como um elefante animatrónico que percorreu as ruas, mais de três dezenas de jogos populares galegos instalados no Parque da Palma e um espaço interativo dedicado à vida marinha no século XV. O mercado medieval, composto por 183 postos de artesanato e gastronomia, estendeu-se pelo casco histórico e registou uma forte afluência durante os três dias.
A réplica da caravela La Pinta, atracada no porto, foi um dos pontos mais procurados, proporcionando aos visitantes uma viagem ao passado e ao episódio que ligou para sempre a vila à descoberta da América. A festa, declarada de Interesse Turístico Internacional, afirmou-se mais uma vez como um motor de promoção turística, projetando o nome das Rias Baixas além-fronteiras.





