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Alto Minho prepara cravos e concertinas para celebrar 52 anos de Abril

Os dez concelhos do Alto Minho preparam-se para festejar o 52.º aniversário do 25 de Abril, com dezenas de iniciativas programadas para hoje e amanhã num território que vai da costa à serra.

A Praça da República, em Viana do Castelo, será amanhã o grande palco da festa a partir das 15h30, com atuações da Escola de Concertinas da Ronda Típica de Carreço, do Coral Polifónico local, da Dixie Band Zé Pedro e das bandas da Escola Amadeus, numa organização conjunta da Comissão Promotora das Comemorações Populares e da autarquia. Ainda hoje, antes do dia grande, inaugura-se um painel azulejar intitulado “Democracia e Liberdade” no Bloco 23 da Cooperativa de Habitação Capitães de Abril – uma obra de três estudantes da Escola Superior de Educação do IPVC que cruza arte e comunidade para fixar os valores da conquista democrática.

A homenagem a todos os presidentes da Câmara eleitos desde 1976 marca o ponto alto das cerimónias em Valença, que começam amanhã às 9h30 nos Paços do Concelho sob o lema “25 de Abril e 50 Anos de Poder Local Democrático”. Durante a tarde, o Centro Cultural de Verdoejo recebe a inauguração de um mural pintado com a comunidade, um momento musical do Coral Polifónico da Associação Cultural de Verdoejo e a projeção do filme‑concerto “Filmou o 25 de Abril?” pelo Space Ensemble.

O hastear da bandeira no Largo do Loreto, amanhã de manhã em Monção, conta com a Banda Musical local e a guarda de honra dos Bombeiros Voluntários, antecedendo a sessão solene no Cine Teatro João Verde onde o presidente da Câmara, António Barbosa, deverá sublinhar a necessidade de preservar e renovar os valores democráticos de 1974. Ainda neste concelho, será inaugurado um mural alusivo aos 160 anos do nascimento de João Verde, figura da literatura local, da autoria do artista Daniel Eime.

Em Caminha, as cerimónias começam cedo amanhã: pelas 9h00, em Vila Praia de Âncora, realiza‑se o hastear solene da Bandeira Nacional na Praça da República, com guarda de honra dos Bombeiros Voluntários e acompanhamento da Banda Musical Lanhelense, seguindo‑se cerimónia idêntica na sede do concelho e a sessão protocolar da Assembleia Municipal nos Paços do Concelho. À noite, o Teatro Municipal acolhe o concerto “Sons da Liberdade”, enquanto na Biblioteca Municipal se encontra patente a exposição “As Portas do Horror”, dedicada ao campo de concentração de Camposancos.

A grande celebração popular em Ponte de Lima acontece já esta noite: o Largo de Camões vai receber um espetáculo do grupo Roconorte com a participação especial do Rancho Folclórico de Gondufe, recentemente vencedor do concurso “Estrelas ao Sábado” da RTP1, estando igualmente prevista a tradicional distribuição de cravos vermelhos que evoca o gesto histórico de Celeste Caeiro. Amanhã, o município concentra‑se nas cerimónias oficiais.

O dia 25 de Abril em Arcos de Valdevez começa amanhã com a deposição de uma coroa de flores no monumento aos combatentes arcuenses tombados na Guerra do Ultramar, seguindo‑se as cerimónias na Praça Municipal com o hastear das bandeiras e a participação dos Bombeiros Voluntários, do Corpo Nacional de Escuteiros e da Banda da Sociedade Musical de Arcos de Valdevez, que actua em concerto à tarde no auditório da Casa das Artes.

Cerimónias oficiais estão igualmente previstas para amanhã de manhã em Vila Nova de Cerveira, Melgaço, Ponte da Barca e Paredes de Coura, com hastear da bandeira nas sedes dos municípios e sessões solenes das respetivas assembleias municipais, seguindo o figurino habitual da efeméride.

O presidente da Câmara de Monção, António Barbosa, insistiu recentemente que “sem memória histórica, existimos mas não nos reconhecemos”. Com as bandas afinadas, os cravos prontos e os discursos escritos, o Alto Minho prepara‑se para viver mais um aniversário da Revolução – certo de que, um ano após o cinquentenário, Abril continua a ser uma memória viva, renovada em cada um dos seus dez concelhos à sua maneira.

Acidente envolveu duas viaturas ligeiras em Darque

Uma colisão entre duas viaturas ligeiras ocorrida na noite de quinta-feira, 23 de abril, na Avenida Carteado Mena, na freguesia de Darque, em Viana do Castelo, mobilizou dez operacionais apoiados por cinco meios no terreno. O alerta do acidente foi dado às 23h35.

De acordo com os registos oficiais, estiveram no local dez elementos de equipas de emergência, apoiados por cinco viaturas, um dispositivo que inclui ambulâncias, veículos de bombeiros e forças de segurança. A ocorrência teve lugar numa das principais vias de acesso a Darque, zona residencial e industrial.

As autoridades não divulgaram, até ao momento, informações sobre feridos ou a gravidade das lesões. O local do sinistro foi isolado e os meios no terreno trabalharam para garantir a segurança rodoviária e o socorro aos envolvidos, aguardando-se um balanço oficial das entidades competentes.

Assembleia Municipal Jovem debate “fake news” e democracia local

A Assembleia Municipal Jovem de Valença reúne-se na próxima segunda-feira, 27 de abril, nos Paços do Concelho, sob o tema “Fake news e a democracia local: como proteger a comunidade da desinformação”. A iniciativa envolve 32 alunos do Agrupamento de Escolas Muralhas do Minho e do polo de Valença da ETAP – Escola Profissional, colocando os jovens no centro da vida cívica do concelho.

O objetivo da sessão é dar espaço para pensar, debater e apresentar ideias sobre o futuro de Valença, funcionando a assembleia como um órgão consultivo onde os jovens podem discutir temas atuais e relevantes para a comunidade. Nesta edição, o foco está no impacto das fake news e na forma como podem afetar a democracia local, incentivando uma participação mais informada, crítica e ativa.

A mesa da Assembleia Municipal Jovem é presidida por Gustavo Caraux, contando com Benedita Gonçalves e Kettelyn Oliveira como secretárias. A sessão contará ainda com a presença do presidente da Assembleia Municipal, José António Cerqueira, e do presidente da Câmara Municipal, José Manuel Carpinteira, que acompanharão os trabalhos e o debate dos alunos.

Esta iniciativa integra a estratégia do Município de Valença para reforçar as políticas de juventude, apostando nos jovens como peças-chave para uma democracia mais participativa e próxima das pessoas. Ao levar para a sala de reuniões do executivo um tema tão premente como a desinformação, a autarquia pretende dotar as novas gerações de ferramentas para reconhecer e combater notícias falsas, num exercício prático de cidadania que se renova a cada edição.

GNR presente nos Caminhos de Santiago para apoiar peregrinos até outubro

A Guarda Nacional Republicana (GNR) realiza até 31 de outubro a operação “Bom Caminho 2026”, que tem por objetivo a proteção e segurança dos peregrinos que se deslocam a Santiago de Compostela, em Espanha.

No âmbito da operação, que teve início na segunda-feira, os militares da Guarda vão promover o patrulhamento de proximidade e maior visibilidade de forma a garantir a segurança dos peregrinos que se deslocam a Santiago de Compostela e que transitam ao longo do Caminho Português, do Caminho Português da Costa e do Caminho Português Interior.

“Simultaneamente, pretende-se garantir a proteção e a conservação da natureza e do ambiente, bem como a preservação do património cultural existente nos referidos caminhos, nos Comandos Territoriais do Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu”, adianta hoje a GNR em comunicado.

Durante a operação “Bom Caminho 2026”, a GNR vai realizar um conjunto de atividades operacionais que “contribuem para o sentimento de segurança e a visibilidade junto dos peregrinos, nos diferentes percursos”.

Os militares da Guarda vão reforçar a sua presença nas zonas mais vulneráveis à passagem dos peregrinos, nomeadamente locais isolados e ermos, infraestruturas de acolhimento e locais de grande concentração, através de patrulhamento e ações de sensibilização”.

Nos períodos de maior afluência de peregrinos, realizar-se-ão patrulhas conjuntas com a Guardia Civil Espanhola.

Na nota, a GNR recomenda aos peregrinos que preparem o percurso antecipadamente, usem roupas claras e material retrorrefletor, mantenham o telemóvel com bateria e o contacto diário com a família e, caso circulem de bicicleta, usem equipamentos de proteção individual e iluminação.

Aconselha igualmente os peregrinos a caminhar preferencialmente durante o dia e com companhia, a ter especial atenção a abordagens por parte de estranhos e a manter os familiares e amigos mais próximos informados sobre os percursos e planeamento da sua viagem.

Tardes etnográficas animam a Praça Deu-la-Deu em Monção

A Praça Deu-la-Deu, em Monção, vai ser palco de três tardes dedicadas à etnografia local, com actuações de ranchos folclóricos do concelho. O evento, promovido pelo município, arranca já no próximo domingo, 26 de abril, e repete-se no feriado de 1 de Maio e no segundo domingo de maio, dia 10, sempre com grupos da região a subir ao palco.

Verdadeiros embaixadores da cultura popular, os agrupamentos folclóricos locais prometem “virar” a praça com os seus trajes, sonoridade e versatilidade, numa manifestação genuína da vivência comunitária e da identidade ancestral do Alto Minho. Em cada uma das tardes actuam três ranchos, numa iniciativa que visa divulgar e promover a etnografia monçanense.

No dia 26 de abril, a partir das 15h30, actuam o Grupo Folclórico das Lavradeiras de S. Pedro de Merufe, o Rancho Folclórico “Estrela dos Vales” e a Associação “Os Moleirinhos do Gadanha”. No feriado de 1 de Maio, à mesma hora, sobem ao palco a Associação Sociocultural e Recreativa de Pinheiros, a ACRD São Mamede de Troviscoso e o Grupo Danças e Cantares de Mazedo. Por fim, no dia 10 de maio, o evento começa mais cedo, às 14h30, com as actuações do Grupo Folclórico Os Amigos de Longos Vales e do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Barbeita.

Com esta programação, o Município de Monção pretende transformar a principal praça da vila num ponto de encontro à volta das tradições, convidando residentes e visitantes a redescobrir os sons, as cores e os gestos que atravessam gerações. A aposta na preservação do património imaterial ganha assim mais um capítulo, num ciclo que se prolonga até meados de maio e que promete animar os fins-de-semana e o feriado dos trabalhadores.

Tui volta a ser palco do festival de cinema Play Doc

O presidente da Câmara de Tui, Enrique Cabaleiro, afirmou esta manhã durante a apresentação do evento no edifício Francisco Sánchez que o Play Doc, Festival Internacional de Cinema, transformará novamente a localidade na capital do cinema entre 29 de abril e 3 de maio.

No ato participaram também o diretor da Agência Galega das Indústrias Culturais (AGADIC), Jacobo Sutil, o deputado provincial e presidente da Câmara de A Guarda, Roberto Carrero, a vereadora da Cultura, Sonsoles Vicente, o codiretor do festival, Ángel Sánchez, e Beli Martínez, responsável pela programação da Competição Galiza.

A edição deste ano conta com duas retrospetivas, dedicadas a Viola Stephan e ao realizador brasileiro Eduardo Coutinho, e com a secção Sombras, que homenageia Rafael Luca de Tena. A competição internacional exibirá obras da Europa, América, África e Ásia, enquanto a Competição Galiza inclui nove filmes. O festival promove o regresso do ciclo Cinema Percorridos, debate a relação entre a inteligência artificial e o cinema, aposta na formação e mantém os concertos na programação.

Como novidade, o Play Doc inaugura a secção Cineasta em foco, dedicada ao cinema contemporâneo, que arranca com a obra de Maureen Fazendeiro. A programação completa está disponível em play-doc.com

GNR detém homem suspeito de traficar droga

A GNR deteve em Ponte de Lima um homem de 29 anos suspeito de traficar droga no concelho, após uma investigação que se prolongou por dois meses.

Segundo o Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo, em comunicado, na quarta-feira foi cumprido um mandado de busca domiciliária e um mandado em veículo, que culminaram na detenção do suspeito em flagrante delito e na apreensão de 96 doses de liamba e 83 doses de haxixe.

No decurso da operação, os militares apreenderam ainda duas embalagens de liamba (CBD), uma balança de precisão, um telemóvel, material de corte e acondicionamento de produto estupefaciente e, 2.860 euros.

O detido foi constituído arguido e os factos comunicados ao Tribunal Judicial de Ponte de Lima.

Vestiram azul para lembrar que a proteção das crianças é um dever de todos

A vila de Arcos de Valdevez associou-se durante o mês de abril à campanha nacional do Laço Azul, uma iniciativa que a cada ano procura despertar consciências para a prevenção dos maus-tratos na infância. A mobilização local, articulada entre a autarquia e a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, resultou num conjunto de ações que marcaram a paisagem urbana e escolar do concelho.

O arranque simbólico aconteceu no primeiro dia do mês, com a fixação de um laço azul de grandes dimensões na fachada dos Paços do Concelho. Em simultâneo, a Praça Municipal encheu-se de participantes que, com os seus corpos, desenharam um laço humano, numa coreografia de envolvimento cívico que uniu a comunidade educativa e a população local. A mensagem era clara: a defesa dos direitos das crianças é uma responsabilidade coletiva.

A campanha prolongou-se com a distribuição de laços azuis pela população e com a sua colocação em locais estratégicos. Os alunos das escolas do concelho assumiram um papel ativo, pendurando os símbolos nos portões dos estabelecimentos de ensino, transformando as entradas em murais de sensibilização. Uma das iniciativas que maior impacto gerou foi a denominada Operação Azul, uma ação de fiscalização simbólica realizada em parceria com o destacamento territorial da GNR. Nesta atividade, foram as próprias crianças e jovens a calçar o papel de agentes da autoridade, abordando condutores para entregar pins e folhetos informativos, ao mesmo tempo que explicavam o propósito da campanha e a urgência de uma sociedade mais atenta.

No centro de toda esta dinâmica esteve o propósito de promover uma parentalidade positiva e fortalecer os vínculos familiares, sublinhando que a construção de ambientes seguros e afetivos não depende apenas das instituições, mas de cada cidadão. A forte adesão registada em Arcos de Valdevez demonstrou que a comunidade está desperta para a necessidade de identificar e prevenir situações de risco, recusando a indiferença como resposta ao sofrimento infantil

Memória de Catarina Eufémia marca arranque das comemorações do 25 de Abril

Catarina Eufémia foi recordada em Valença 72 anos depois de ter sido assassinada, em Baleizão. A cerimónia foi promovida pelo Município de Valença e assinalou o arranque das comemorações do 52.º aniversário do 25 de Abril.

A homenagem à figura maior da resistência ao Estado Novo assassinada a 19 de maio de 1954 foi feita na pessoa do seu filho, o valenciano José Baleizão do Carmo, num evento carregado de simbolismo e memória coletiva.

O Município de Valença deu início às comemorações do 52.º aniversário do 25 de Abril com uma cerimónia de homenagem a Catarina Eufémia, que decorreu no Agrupamento de Escolas Muralhas do Minho.

José Baleizão do Carmo, empresário da restauração radicado em Cerdal há 47 anos, esteve presente ao lado do seu irmão. Ambos receberam, das mãos do presidente da Câmara Municipal, José Manuel Carpinteira, um quadro evocativo que traduz o reconhecimento público do concelho e perpetua uma história de coragem e resistência.

A obra retrata Catarina Eufémia com o filho de oito meses ao colo, precisamente no dia em que foi assassinada há 72 anos. No quadro, o autarca deixou uma mensagem: “À memória de Catarina Eufémia, símbolo maior da dignidade e da luta pela liberdade. Em Abril, evocamos a sua coragem e o legado que ajudou a construir, porque foi da resistência que nasceu a liberdade.”

A sessão foi conduzida por Rogério Charraz através do concerto-palestra “Anónimos de Abril”, que deu voz às histórias de mulheres ligadas à luta pela liberdade, entre as quais Catarina Eufémia se destaca como símbolo maior da dignidade e da luta por direitos.

O programa comemorativo prossegue no dia 24 de abril, pelas 21h30, com um concerto do grupo Luar do Minho no auditório da Escola Superior de Ciências Empresariais de Valença. No dia 25 de abril, as cerimónias evocativas, subordinadas ao tema “25 de Abril e 50 Anos de Poder Local Democrático”, têm início às 9h30 nos Paços do Concelho, sendo um dos momentos mais marcantes a homenagem aos presidentes da Câmara Municipal de Valença desde 1976, assinalando meio século de poder local democrático.

Durante a tarde do mesmo dia, a programação cultural continua no Centro Cultural de Verdoejo, com um momento musical pelo Coral Polifónico da Associação Cultural de Verdoejo às 16h30, seguido do filme-concerto “Filmou o 25 de Abril?”, pelo Space Ensemble.

Livro recorda proibições absurdas e repressivas durante o “Estado novo”

As proibições do tempo do Estado Novo foram recordadas no arranque das comemorações do 52.º aniversário do 25 de Abril em Valença. A cerimónia, que decorreu no Agrupamento de Escolas Muralhas do Minho e incluiu uma homenagem a Catarina Eufémia, serviu de ponto de partida para uma reflexão sobre as restrições que marcaram o quotidiano dos portugueses antes da Revolução dos Cravos.

O livro “Antes do 25 de Abril era proibido”, da autoria do jornalista e escritor António Costa Santos, reúne um número significativo de proibições que surpreendem os jovens de hoje, nascidos já em tempos de liberdade. Editada em março de 2024 pela Guerra e Paz, a obra compila mais de uma centena de restrições oficiais que vigoraram durante o Estado Novo e que hoje parecem saídas de um universo distópico.

José Manuel Carpinteira, presidente da Câmara Municipal de Valença, falou durante a sessão precisamente sobre este livro. Carpinteira, que lidera o município pelo Partido Socialista e foi deputado à Assembleia da República, sublinhou que obras como esta são essenciais para que o passado não caia no esquecimento.

António Costa Santos, que iniciou a carreira jornalística em 1976 no jornal O Diário e foi redator, editor e colunista do Expresso entre 1989 e 2000, documenta na obra proibições que vão do absurdo ao opressivo: era preciso ter uma licença anual do Estado para usar um isqueiro; as mulheres casadas não podiam obter passaporte sem autorização escrita do marido; as enfermeiras estavam proibidas de casar sob pena de perderem o emprego; e os namorados que ousassem beijar-se na boca em público eram multados e rapados na esquadra da GNR.

A escala de multas para afetos em jardins públicos, descrita no livro, é particularmente reveladora: dar as mãos custava dois escudos e cinquenta centavos, enquanto o grau máximo das infrações implicava uma multa de cento e cinquenta escudos, prisão e registo fotográfico. A censura estendia-se ao vestuário, com as saias das raparigas medidas à entrada das escolas para que os joelhos não ficassem à vista, e à alimentação, com a venda de Coca-Cola proibida sob o pretexto de que ameaçava a produção de vinho nacional.

Com 208 páginas e ilustrado com fotografias de época, “Antes do 25 de Abril era proibido” tem sido amplamente recomendado como uma leitura essencial para as novas gerações, sobretudo no mês em que se assinala a Revolução dos Cravos. A obra não se limita a enumerar absurdos burocráticos: recorda que as liberdades conquistadas em Abril são frágeis e exigem memória ativa para que os erros do passado não se repitam.

A cerimónia em Valença ficou ainda marcada por uma homenagem a Catarina Eufémia, figura emblemática da resistência ao Estado Novo assassinada a tiro a 19 de maio de 1954, evocada na pessoa do seu filho, o valenciano José Baleizão do Carmo. Este recebeu das mãos de José Manuel Carpinteira um quadro evocativo que retrata a mãe com o filho de oito meses ao colo no dia do crime. A sessão foi conduzida por Rogério Charraz através do concerto-palestra “Anónimos de Abril”, que deu voz a mulheres ligadas à luta pela liberdade, e integra um programa mais vasto que prossegue no dia 24 de abril com um concerto do grupo Luar do Minho e no dia 25 com uma homenagem aos presidentes da Câmara de Valença desde 1976, assinalando meio século de poder local democrático.

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