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Faleceu Nuno Afonso, diretor da Casa do Concelho de Ponte de Lima

Dirigente de longa data e apaixonado pelas tradições minhotas faleceu na madrugada desta terça-feira, 14 de julho

A Casa do Concelho de Ponte de Lima, sediada em Lisboa, perdeu um dos seus mais ilustres e dedicados membros. Nuno Afonso, que exercia atualmente o cargo de diretor da instituição, faleceu na madrugada desta terça-feira, conforme comunicado oficial divulgado pela direção do associação.

A nota, assinada pela direção da Casa, expressa “profunda tristeza” pela partida de alguém que “tanto deu à nossa Casa e que ficará para sempre na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer”.

Natural do concelho do Alto Minho, Nuno Afonso era descrito como “a representação do espírito limiano em Lisboa”. O seu percurso na instituição começou cedo, tendo integrado várias direções ao longo dos anos, onde dedicou “incontáveis horas de trabalho, esforço e dedicação” para engrandecer a coletividade. “Era, verdadeiramente, um homem que vestia a camisola pela causa”, refere a missiva.

Quem frequentava os encontros semanais, especialmente aos sábados na sede da Casa, guarda na memória a sua figura irreverente e a boa disposição contagiante. O comunicado recorda particularmente “as inesquecíveis tardes passadas à volta de uma mesa de sueca”, onde Nuno Afonso se destacava “entre cartas, risos, brincadeiras e a saudável competição”. A direção sublinha que “quem passava os sábados na Casa do Concelho de Ponte de Lima dificilmente deixará de se lembrar da sua irreverência”.

Para além da vertente associativa e dirigente, Nuno Afonso deixou uma marca profunda na vertente cultural do clube. Levava a música tradiicional no coração e era presença ativa como cantador do Rancho Folclórico, elemento do Grupo de Cavaquinhos e do Grupo de Bombos. “Cantar fazia parte da sua essência e, quando a sua voz se fazia ouvir, todos sabíamos que o Nuno estava por perto”, descreve a homenagem oficial.

A Casa do Concelho de Ponte de Lima encerra o tributo com um agradecimento público “por tudo o que o Nuno fez por esta instituição ao longo da sua vida”, estendendo “as mais sentidas condolências” à família e amigos do dirigente, desejando-lhes “força e conforto neste momento de profunda dor”.

O jornal Cardeal Saraiva endereçoa os mais se tidos pêsames à  família.

Fernando Pimenta brilha no Canadá com duas medalhas de ouro

Fernando Pimenta voltou a engrandecer o seu vasto palmarés ao conquistar duas medalhas de ouro na Taça do Mundo de canoagem, que se disputou este fim de semana em Montreal, no Canadá. O atleta luso foi a grande figura da competição, subindo ao lugar mais alto do pódio nas provas de K1 1000 metros e K1 5000 metros.

No sábado, dia 11 de julho, Pimenta venceu a distância rainha da canoagem, os 1000 metros, com o tempo de 3 minutos e 35,60 segundos. A vitória ganhou contornos de superação, uma vez que o português cometeu uma falsa partida, mas manteve a frieza, regressou à grelha de partida e impôs um ritmo avassalador, deixando o australiano Thomas Green (prata) e o checo Josef Dostal (bronze) para trás.

No dia seguinte, domingo, 12 de julho, Pimenta repetiu a façanha na prova de fundo, os 5000 metros. Com o tempo de 21 minutos e 57,79 segundos, o canoísta português superou o dinamarquês Mads Pedersen (prata) e o espanhol Javier Lopez (bronze), confirmando a sua supremacia na modalidade.

Com estes dois triunfos, Fernando Pimenta alcançou a 31.ª medalha de ouro da carreira em Taças do Mundo, um feito notável que consolida o seu lugar entre os maiores de sempre da canoagem mundial.

A missão portuguesa no Canadá não se ficou, porém, pelos ouros de Pimenta. A seleção nacional conquistou ainda uma medalha de prata na prova de K4 500 metros, com a tripulação composta por Gustavo Gonçalves, João Ribeiro, Messias Baptista e Pedro Casinha, elevando para três o número total de pódios lusos em Montreal.

O desempenho robusto da equipa portuguesa deixa boas perspetivas para os próximos desafios internacionais, com Fernando Pimenta a afirmar-se, mais uma vez, como a principal referência da modalidade em Portugal.

Falecimento de Sousa Meira deixa barquenses consternados

Sousa Meira morreu repentinamente este domingo

Foi com profundo pesar que Ponte da Barca recebeu hoje a notícia do falecimento repentino de José Sousa Meira, uma das figuras mais carismáticas e completas da nossa terra. Comerciante de profissão, mas poeta por vocação e pintor por sensibilidade, Sousa Meira partiu de forma inesperada, deixando a comunidade barquense consternada e em silêncio.

A notícia da sua morte gerou uma vaga de comoção no seio da comunidade. José Alfredo Oliveira, vice-presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca, foi uma dessas vozes o expressar o sentimento coletivo numa publicação onde sublinhou a ligação indissociável do homenageado à sua terra, afirmando que “há pessoas que pertencem, de forma indissociável, à alma de uma terra. O Sousa Meira era uma delas.

A sua partida repentina deixa-nos profundamente consternados e sem palavras. É difícil aceitar que alguém tão presente na vida de Ponte da Barca, tão ligado à sua identidade e à sua cultura, nos deixe de forma tão inesperada, sobretudo quando, ainda há tão pouco tempo, partilhava connosco mais uma obra, mais um testemunho do seu amor pela nossa terra”.

O autarca recordou ainda a faceta multifacetada de Sousa Meira, descrevendo-o como alguém que “soube dar voz aos sentimentos de um povo”, transformando em palavras e arte a essência de ser barquense, e escreveu que “mais do que um homem da cultura, parte hoje um dos grandes embaixadores da nossa identidade coletiva”, classificando-o como um homem afável, cordial e amigo de todos, cuja humanidade conquistava quem com ele se cruzava.

O jornal Cardeal Saraiva acompanhou de perto o mais recente marco na vida artística de Sousa Meira, quando, no dia 11 de abril de 2026, noticiámos a apresentação do seu primeiro livro de poesia, intitulado “A Minha Maré”, um evento que ficará para sempre gravado na memória cultural de Ponte da Barca. A sessão teve lugar no Auditório e Arquivo de Ponte da Barca, numa cerimónia memorável conduzida e apadrinhada pelo professor Jaime Ferreri, e que contou ainda com a presença do presidente da Câmara Municipal, Augusto Marinho.

Este foi a primeiro livro de Sousa Meira que incluiu os seus poemas dispersos pelas redes sociais, sem qualquer registo impresso ou digital organizado, tendo sido necessário um trabalho exaustivo de recolha de mais de 130 poemas, dos quais o professor Jaime Ferreri selecionou 70 para integrar essa edição. O professor descreveu a poética de Sousa Meira como espontânea, comparando-a a um rio, escrita “com inocência e dom, sem disso dar conta”, utilizando “metáforas inocentes” que envolvem o leitor numa viagem emocional.

Na altura, o próprio autor, visivelmente emocionado, confessou que escrevia mais de dez poemas por dia, tendo na sua mulher e no mar as principais musas inspiradoras, e num momento de grande cumplicidade com a plateia soltou uma das suas frases mais marcantes, que traduz a sua essência e devoção: “Catolicamente, na igreja deviam dizer-se poemas em vez de rezar”, rematando, num arrebate final de amor à sua terra: “Ponte da Barca é poesia.” Sousa Meira permanecerá agora vivo na sua obra, nas suas palavras e na memória daqueles que tiveram o privilégio de o conhecer.

O jornal Cardeal Saraiva endereça as mais sentidas condolências à família e amigos de Sousa Meira.

PSP investiga roubo de componente vital em viatura dos SMVC

O desaparecimento de um elemento crucial para o funcionamento de uma viatura de serviço foi detetado esta sexta-feira pelas equipas dos Serviços Municipalizados de Viana do Castelo (SMVC), levando a administração da empresa a acionar de imediato os mecanismos de segurança e a solicitar a intervenção da Polícia de Segurança Pública. A peça subtraída, parte integrante do veio de transmissão do automóvel, compromete não apenas a operacionalidade do meio de transporte, mas também a sua segurança, o que torna a ocorrência particularmente sensível para a logística da autarquia.

De acordo com as informações divulgadas pela direção da empresa municipal, a viatura em causa dera entrada nas instalações dos SMVC na passada quinta-feira, encontrando-se totalmente preparada e pronta para ser colocada em circulação já durante a manhã de hoje. A descoberta do furto, ocorrida momentos antes do arranque da sua atividade operacional, surpreendeu os técnicos e obrigou ao imediato replaneamento das tarefas previstas, evidenciando o elevado prejuízo funcional que atos desta natureza acarretam para a resposta atempada dos serviços essenciais.

A PSP de Viana do Castelo encontra-se já a par do sucedido e está a desenvolver todas as diligências investigativas no sentido de rastrear o paradeiro do equipamento furtado e identificar os indivíduos responsáveis pela subtração. Os SMVC estão a cooperar ativamente com as autoridades, disponibilizando toda a informação relevante que possa contribuir para o rápido esclarecimento do caso e para a reposição da normalidade operacional da frota municipal.

Em comunicado oficial, o Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados deixou expresso o seu veemente repúdio contra este tipo de ações delituosas que lesam o património coletivo, sublinhando o inabalável compromisso da instituição com a defesa dos recursos públicos. A empresa reafirma ainda a sua total dedicação em garantir a continuidade e a qualidade dos serviços que presta à comunidade vianense, assegurando que serão envidados todos os esforços para mitigar os constrangimentos causados por este incidente.

Cavaleiros, trovadores e falcoaria marcam fim de semana medieval no Paço de Giela

O Paço de Giela, em Arcos de Valdevez, recua nove séculos a partir de amanhã, sexta-feira, para dar vida à esperada recriação histórica do Recontro de Valdevez, um evento que se estende até domingo e que promete transformar aquele espaço num verdadeiro cenário medieval. A edição deste ano revisita o célebre encontro de 1141 entre os exércitos de Afonso Henriques e Afonso VII de Leão e Castela, seu primo, episódio considerado fundamental para a génese da nacionalidade portuguesa. Como novidade, o espetáculo central, intitulado “Afonso e a Conquista de Lisboa”, transporta o público para outro momento determinante da reconquista cristã, enriquecendo a narrativa sobre a afirmação do jovem monarca portucalense e conferindo maior amplitude histórica à encenação habitual.

A programação arranca à tarde, com a abertura oficial do certame agendada para as 17h00, seguindo-se o treino de cavaleiros, o voo da águia e a oficina de forja “Ferro e Fogo”, que demonstra as técnicas ancestrais do trabalho com o metal. Os trovadores e as bailias marcam presença ao longo da noite, criando uma atmosfera genuinamente medieval, sendo que o grande momento do dia está reservado para as 22h00, com a encenação grandiosa do Recontro de Valdevez aliada à nova abordagem sobre a conquista da capital. No sábado e no domingo, as portas do acampamento reabrem às 11h00, com um leque diversificado de atividades que se repetem ao longo da tarde, incluindo a investidura dos Cavaleiros Petizes para os mais novos, o desafio imersivo “Os Segredos do Paço”, a oficina de esgrima medieval “Guerreiro por meia hora” e momentos musicais com danças de época. No derradeiro dia do evento, a edição encerra com um festim comunitário a partir das 22h30, antecedido pelas últimas atuações de saltimbancos e músicos de rua que percorrem o recinto.

Para além do certame principal, os visitantes são convidados a explorar os acampamentos civis e militares, onde é possível observar o quotidiano das gentes do século XII, bem como a exposição de aves de rapina junto aos estábulos e os jogos e brincadeiras tradicionais pensados para os mais jovens. A Taberna do Touro Bravo garante as delícias gastronómicas da época, enquanto o Ospitall Medieval recorda os cuidados de saúde rudimentares daquele período. O Paço de Giela, pela sua imponência e traça arquitetónica, assume-se uma vez mais como o palco ideal para esta imersão na história coletiva, proporcionando a residentes e turistas uma experiência cultural inesquecível ao longo de todo o fim de semana, onde o passado ganha vida ao som de melodias antigas e ao ritmo das espadas.

Recriação Histórica, Recontro de Valdevez, Paço de Giela, Arcos de Valdevez, Idade Média, Afonso Henriques, turismo cultural, evento medieval, património histórico

PJ detém suspeita de tentar matar marido com uma faca durante o sono

Uma mulher de 25 anos foi detida por ser suspeita de tentar matar o marido enquanto dormia com uma faca de cozinha, em frente ao filho menor, em Vila Praia de Âncora, Caminha, revelou hoje a Polícia Judiciária (PJ).

“Numa altura em que o marido, com 42 anos, se encontrava a dormir no quarto, a suspeita, utilizando uma faca de cozinha, com lâmina de grandes dimensões, surpreendeu-o e desferiu-lhe vários golpes, nomeadamente na zona occipital, cervical, dorsal e no braço esquerdo, provocando-lhe ferimentos corto perfurantes e causando-lhe pneumotórax de grande volume, que fez perigar a sua vida”, descreve, em comunicado, a PJ. 

Das agressões, “praticadas em frente ao filho” do casal, com quatro anos, resultou ainda uma fratura no braço esquerdo do homem.

A PJ explica que os factos ocorreram na madrugada de quarta-feira, “num quadro de discussões frequentes”, no interior de um apartamento em Vila Praia de Âncora, concelho de Caminha.

Todos os envolvidos foram conduzidos ao Hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo, onde a vítima e o filho ficaram internados, de acordo com a PJ.

O homem ficou no hospital “devido aos ferimentos” e o filho aguarda “pela entrega a familiar, em articulação com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens”.

A mulher teve alta hospitalar e foi detida “fora de flagrante delito”, pela suspeita “da prática de um crime de homicídio qualificado, com utilização de arma branca, na forma tentada”, numa operação levada a cabo pela PJ através do Departamento de Investigação Criminal de Braga.

Junta de Chafé nega desvio de meios públicos e fala em “campanha de perseguição”

A Junta de Freguesia de Chafé veio hoje a público contestar, em comunicado, as críticas que têm circulado nas redes sociais relativamente à utilização de equipamento público na limpeza de um terreno privado. A autarquia classifica as acusações como “difamatórias” e enquadra-as numa “postura de perseguição” que, defende, “em nada contribui para o bom funcionamento das instituições nem para a confiança da população”.

O terreno em causa será palco, no próximo dia 9 de julho, da tradicional sardinhada comemorativa do aniversário da criação da freguesia – evento que, segundo a junta, se realiza há 41 anos no mesmo local, cedido sem qualquer custo pela família de Sandrina Carvalho.

“A preparação e limpeza do espaço constituem uma contrapartida natural dessa cedência, tendo sido asseguradas, há largos anos, com recurso a meios próprios da Junta”, sublinha o executivo no documento divulgado hoje.

A autarquia justifica ainda a intervenção no terreno com razões de segurança pública: “Atendendo às elevadas temperaturas que se fazem sentir, é fundamental garantir condições de prevenção de incêndios e de higiene do espaço, uma vez que ali serão confecionados alimentos.”

No comunicado, a Junta de Freguesia de Chafé lamenta o que considera ser “uma tentativa de criar ruído, desinformação e desconfiança”, e reafirma o seu compromisso com “um trabalho sério, transparente e dedicado ao serviço da população, à preservação das tradições e ao fortalecimento da comunidade”.

O tom do documento torna-se mais incisivo no final, quando a autarquia se reserva “no direito de agir pelos meios legais à sua disposição perante estas afirmações que atentam contra o bom nome da instituição e dos seus representantes”.

A sardinhada do próximo dia 9, que marca 41 anos de história da freguesia, segue confirmada e é aguardada como um dos principais momentos de confraternização da comunidade local.

EDITORIAL | O festim dos 900 anos do Foral e a incúria de Vasco Ferraz

 AVELINO CASTRO – diretor

Jornal CARDEAL SARAIVA  26 JUN 2026

EDITORIAL

Enquanto o Município de Ponte de Lima se desdobrava em festejos para assinalar os 900 anos da atribuição do Foral a Ponte de Lima, a Casa da Baldrufa era abandonada até ao seu destino fatal: a demolição.

Durante um ano inteiro Ponte de Lima festejou os 900 anos da atribuição do Foral à vila, festejos que terminaram no passado dia 4 de março. Foi o culminar da celebração de nove séculos de memória com pompa, discursos inflamados e fogos de artifício. Um autêntico festim! Ao mesmo tempo que se celebrava a história, era traçado o destino fatal da Casa da Baldrufa. Volvidos apenas três meses de tão inflamada celebração, estamos perante um facto consumado de mais um atropelo ao património limiano com a demolição da Casa da Baldrufa.

Ponte de Lima está em alvoroço perante o atentado perpetrado contra uma casa com inegável valor histórico e arquitetónico. A população protesta nas redes sociais, mas sente-se impotente perante um executivo camarário que deitou a toalha ao chão – ou a deixou cair propositadamente.

A Quinta da Baldrufa foi esventrada há quarenta anos para receber a via que iria ligar a Feitosa à nova ponte de Nossa Senhora da Guia. No seu traçado, a estrada rasgou a quinta a meio e, nesse local, desenhou uma curva extensa num desvio geométrico, e completamente desnecessário, até ao cruzamento da Rua Agostinho José Taveira. Durante anos, este cruzamento da Baldrufa foi sinónimo de acidentes e ali pereceram pessoas em desastres rodoviários. Só mais tarde a segurança foi melhorada com a passagem desnivelada que hoje conhecemos.

Qualquer leigo percebia, na altura, que o traçado com aquela curva não era o ideal. Ao que parece – e sempre pareceu – já na altura havia “influencers” que conseguiram mudar o trajeto da via para que não fossem expropriados os seus terrenos. Aquela curva nunca deveria ter existido e, se não existisse, a Quinta da Baldrufa não teria sido esventrada. Falta de visão na altura? Ou visão curta até ao bolso de alguém? Provavelmente, as duas coisas.

O proprietário da época, António Porto-Além, não conseguiu travar o desígnio do asfalto. Restou-lhe a casa, que agora está a ser demolida.

Nessa altura, a forma de encarar a cultura, o património e a defesa dos valores ancestrais era ainda incipiente. Hoje, volvidos 40 anos e com uma maior sensibilização sobre estes temas, os atropelos continuam aos olhos de todos.

O historiador Miguel Ayres de Campos-Tovar mostrou-se preocupado com o futuro desta casa histórica e, na Assembleia Municipal de Ponte de Lima de 28 de fevereiro passado, questionou o presidente da Câmara de Ponte de Lima, Vasco Ferraz, sobre a intenção de considerar o imóvel como de interesse municipal.

Na resposta, Vasco Ferraz argumentou que o dono já tinha intervido no prédio e feito alterações, pelo que não avançou, nem iria avançar, com esse pedido. O autarca foi mais longe e acrescentou que ele próprio iria interferir para que a tutela também não o fizesse.

Como é do conhecimento público, Vasco Ferraz assume a presidência da Câmara Municipal e ainda bem porque senão poderíamos ter um problema para resolver. Caso Vasco Ferraz fosse bombeiro e chamado para prestar socorro e aí se deparasse com um edifício a arder, ele deixá-lo-ia arder até ao fim. E ainda mais: não deixaria ninguém intervir para se assegurar que o prédio arderia na sua totalidade.

Hoje a Casa da Baldrufa “está a arder” e “bombeiro” que deveria ter entrado ao serviço há muito virou as costas ao assunto.

No meio deste bulício Vasco Ferraz ainda se vangloria do facto do atual proprietário da Casa da Baldrufa ter oferecido o pórtico à Câmara. Pasmem-se, segundo o autarca, o pórtico da quinta irá parar a uma rotunda existente ou a construir. O presidente deveria perceber que tal oferta é um prémio envenenado. É como o caçador que oferece ao amigo a cabeça da caça embalsamada: não serve para nada a não ser para registar o mau gosto. No futuro, quando circularmos por essa tal rotunda, iremos recordar a incúria e o desleixo demonstrado pela autarquia presidida por Vasco Ferraz.

É também assaz simpático perceber que o proprietário da Casa da Baldrufa é também proprietário do prédio do Largo de Camões, parado há anos, o qual guarda vestígios da ponte medieval.

Vasco Ferraz está a cumprir o segundo mandato na presidência da Câmara Municipal de Ponte de Lima. Em anteriores mandatos já tinha assumido a vereação com o pelouro do urbanismo, pelo que, a acrescer à sua formação em engenharia civil, não pode dizer que este caso lhe caiu do céu sem que ele desse por isso. O que faltou, então, a Vasco Ferraz? Ou, o que acrescentou?

A Casa da Baldrufa hoje “arde” nas mãos de um “bombeiro” que demonstra desleixo, alheamento e desrespeito pelo património local. E, desta forma, chegamos a um facto consumado: parte da casa já está demolida e um posto de abastecimento de combustíveis irá surgir naquele espaço da quinta. O resto da casa irá abaixo em breve para dar lugar a novas construções.

O derradeiro proprietário a usufruir da casa, António Porto-Além, pessoa de grande sensibilidade, morreria hoje de desgosto se por cá andasse. Foi ali, sob a copa da árvore que amava e em comunhão com a natureza circundante, que encontrou paz nos anos finais. Foi o seu santuário. Todos aqueles que partilharam esses dias com ele, perceberam como essa devoção ao lugar era notória e comovente.

Em tempos, ali se fez poesia. Hoje, apaga-se a memória e o povo fica a aguardar mais um festim.

Clássicos Tui celebram segunda edição com rota das adegas e gastronomia

A cidade de Tui prepara-se para receber, no próximo domingo, dia 5 de julho, a segunda edição da Concentração Clássicos Tui, um evento que promete encantar os amantes do automobilismo antigo, da enologia e da boa mesa. A organização, a cargo do grupo Clásicos Tui, já tem tudo preparado para receber os participantes e celebrar a cultura automóvel clássica.

O itinerário da concentração arranca cedo. A receção dos veículos está marcada para as 09:00 horas no Passeio Corredoira, prolongando-se até às 10:00, onde será servido um café e bolo de boas-vindas a todos os condutores e acompanhantes. Pelas 11:00 horas, a comitiva ruma à Rota das Adegas Fillaboa, com uma visita guiada que inclui aperitivos e uma degustação dos vinhos da casa. A experiência gastronómica e automóvel prossegue depois em direção ao Restaurante Manolo, local onde os participantes irão usufruir de um almoço de confraternização.

A ementa promete ser um dos pontos altos do encontro. O menu, cuidadosamente selecionado, inclui uma variedade de enchidos ibéricos e queijos, empanada galega, lagostins cozidos e grelhados, vieiras no forno, bem como vitela e cordeiro leitão com guarnição, seguidos de sobremesa, café e digestivos – uma verdadeira viagem pelos sabores da região.

Recorde-se que as inscrições, no valor de 40 euros, estavam limitadas a veículos com mais de 30 anos e as vagas eram limitadas. O prazo para garantir lugar terminou no passado dia 28 de junho, tendo a organização confirmado que a procura superou as expectativas, com todas as vagas a serem preenchidas.

A iniciativa é organizada por Clásicos Tui com a qual pretendem reforçar a aposta na dinamização cultural e turística da cidade. Tudo aponta para um domingo inesquecível, onde o rugir dos motores antigos se alia ao requinte da gastronomia local.

Risco muito elevado de incêndio coloca Portugal em alerta a partir de amanhã

O país prepara-se para enfrentar um período crítico de perigo de incêndio rural. Entre amanhã, dia 3, e a próxima segunda-feira, dia 6 de julho, vigorará uma Situação de Alerta, com o risco classificado como muito elevado, o que motivou a imposição de um conjunto de restrições severas ao acesso e à atividade em espaços florestais e rurais.

De acordo com as determinações oficiais, baseadas nos Planos Municipais de Defesa da Floresta contra Incêndios, fica decretada a proibição de acesso, circulação e permanência em zonas florestais, caminhos rurais e outras vias que os atravessem. A medida visa proteger vidas e bens num cenário meteorológico e ambiental particularmente desfavorável.

As proibições estendem-se a várias atividades. Estão interditas queimadas e queimas de sobrantes, com a suspensão imediata de todas as autorizações previamente emitidas para o efeito. Também os trabalhos com maquinaria nos espaços florestais e em áreas rurais ficam impedidos, assim como o uso específico de motorroçadoras de lâmina metálica, corta-matoses e destroçadores nessas zonas.

O alerta abrange ainda a utilização de fogo-de-artifício e outros artefactos pirotécnicos, incluindo balões com mecha acesa, estando igualmente suspensas todas as autorizações que haviam sido concedidas anteriormente para estes fins.

As autoridades apelam à colaboração de todos os cidadãos, reforçando a mensagem de que a segurança coletiva depende do contributo individual. A campanha divulgada lembra que cada um deve proteger a sua vida, a floresta e o património de todos.

Em caso de emergência ou avistamento de fogo, o número a contactar é o 112. A população deve ainda seguir rigorosamente as indicações das autoridades e manter-se informada através dos canais oficiais. O período de alerta máximo vigorará até ao final do dia 6 de julho, podendo ser reavaliado consoante a evolução das condições climáticas.

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