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Repositório genealógico de Caminha apresentado sábado em Vile

No próximo dia 9 de maio, a partir das 14h00, vai ser apresentado na Junta de Freguesia de Vile o Repositório Genealógico do Concelho de Caminha, uma plataforma que integra a genealogia de todas as famílias e indivíduos de todas as freguesias do concelho de Caminha, desde sensivelmente os inícios de 1600 até 1910.

A iniciativa, promovida pelo Município de Caminha, tem como lema “Preservar o passado, compreender o presente” e constitui uma oportunidade única para descobrir as origens, explorar as histórias das famílias do concelho e compreender como se vivia até 1910.

Os organizadores recomendam que os participantes tragam, se possível, os nomes dos seus bisavós, para que possam aprender a navegar nesta plataforma disponível à distância de um clique. A sessão inclui ainda uma visita ao património local de Vile, nomeadamente no que diz respeito à religiosidade e às artes da sua população.

O evento conta com o apoio da Junta de Freguesia de Vile, da Academia Sénior de Caminha e da Paróquia de Vile, e sublinha os conceitos de memória, identidade e património.

Exposição em banda desenhada presta homenagem a Sérgio Godinho

O Município de Paredes de Coura assinala o 80.º aniversário do cantor, poeta e compositor Sérgio Godinho com uma exposição de banda desenhada intitulada “O Meu Sérgio”, que abriu portas no passado dia 1 de maio na Sala de Exposições do Centro Cultural da vila. A mostra, patente até 17 de maio, reúne obras de oito autores nacionais que se inspiraram na vasta produção artística de Godinho, num projeto que alia a música à narrativa visual.

A iniciativa pretende homenagear aqueles que, nas palavras da organização, “dão sentido à nossa vida individual e coletiva”, enquadrando-se num ato de gratidão pela presença constante de Sérgio Godinho. A sua música e a força das suas letras ancoraram, durante décadas, a esperança de várias gerações, justificando a criação de um projeto editorial de banda desenhada como forma de tributo.

“O Meu Sérgio” conta com a participação de oito autores reconhecidos no panorama da banda desenhada nacional: Pedro Burgos, Tiago Baptista, Rodolfo Mariano, José Smith Vargas, Maria João Worm, Mariana Pita, Alexandra Saldanha e Joana Mosi. Cada um deles produziu obras originais inspiradas no universo artístico de Sérgio Godinho, estabelecendo uma ponte para as novas gerações.

A escolha da banda desenhada não é acidental. Sérgio Godinho sempre cultivou múltiplas paixões no campo das atividades artísticas, sendo a nona arte uma delas. De acordo com o município, vale a pena “descobrir o nosso Sérgio desenhado e escrito por quem guardou o nosso sonho nos versos cantados”, numa época que a organização descreve como “tempo que se adivinha de sombras, violências e enganos”.

A exposição decorre na Sala de Exposições do Centro Cultural de Paredes de Coura, tendo entrada livre nos horários de funcionamento do equipamento. O projeto editorial associado à mostra poderá vir a ser editado em formato livro, ainda sem data confirmada.

Com esta homenagem, Paredes de Coura junta-se às várias iniciativas que assinalam os 80 anos de Sérgio Godinho, reafirmando a importância de manter a palavra viva e de celebrar artistas que marcaram a cultura portuguesa. Até 17 de maio, os visitantes podem assim redescobrir, através do traço e da cor, um dos mais influentes compositores e intérpretes da música popular portuguesa.

 

 

Beneficiação do piso obriga a circulação alternada na EN13 a partir de hoje

A partir de hoje, quarta-feira, dia 6, e até 15 de maio, a circulação na Estrada Nacional (EN) 13 será feita de forma alternada. O constrangimento é motivado por trabalhos de pavimentação a realizar entre a rotunda do Tribunal, à saída de Ponte de Lima, e a localidade de Gandra.

Os trabalhos realizam-se em período diurno, das 8h às 18h. O trânsito será coordenado por um sistema semafórico e a sinalização no local estará devidamente colocada.

Cartaz das Feiras Novas foi apresentado em dia de festa

Hoje as Feiras Novas foram festejadas em maio. Entre as várias iniciativas que assinalaram o arranque das comemorações do bicentenário, foi apresentado o cartaz da edição deste ano das Feiras Novas e revelada a nova logomarca do evento, numa cerimónia que decorreu na Igreja Matriz de Ponte de Lima.

O cartaz oficial de 2026 é da autoria do jovem limiano José Pedro Ribeiro Pereira, vencedor de um concurso inédito que lhe deu 54,66 por cento dos votos. Já a renovação da imagem da festa ficou a cargo da designer Madalena Martins, natural de Ponte de Lima e licenciada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

A designer, que vive e trabalha no Porto desde 1999, é a responsável pela identidade visual das Feiras Novas há quase três décadas. Foi ela que, nesse mesmo ano de 1999, criou em parceria com Susana Espadilha a icónica boneca gigante “Matilde” que se tornou o símbolo máximo da festividade. Em 2010, assinou um dos cartazes inovadores da época e, mais recentemente, colaborou na criação do cartaz de 2025.

Para o bicentenário das festas, Madalena Martins propôs uma atualização da logomarca original que desenhou há cerca de trinta anos. A intervenção simplifica os elementos gráficos, preservando a identidade e o legado da marca, mas conferindo-lhe um traço mais limpo e contemporâneo. A nova imagem, apresentada durante a cerimónia na Igreja Matriz, pretende simbolizar a “eterna juventude” das Feiras Novas, preparando o evento para as próximas décadas sem perder a sua alma minhota.

As grandes festas decorrerão entre 9 e 14 de setembro, data em que o cortejo histórico será dedicado à própria história das Feiras Novas.

 

 

 

PSD exige esclarecimentos a Vasco Ferraz

O Partido Social Democrata de Ponte de Lima manifestou esta semana “estupefação, perplexidade e profunda preocupação” com declarações atribuídas pelo presidente da Câmara Municipal, Vasco Ferraz, ao antigo autarca e Daniel Campelo.

Em causa está a afirmação, feita na reunião de Executivo de 13 de abril e registada em ata aprovada a 28 de abril, de que Campelo terá defendido oralmente que o concelho “deveria reduzir a sua população de cerca de 42 mil para 30 mil habitantes”.

De acordo com o comunicado do PSD local, Vasco Ferraz terá ainda declarado na mesma reunião: “O que o engenheiro nos transmitiu é que acha que o concelho deve perder população, e isso não é a vontade da população.”

O partido social democrata considera a acusação “extraordinariamente grave, não apenas pelo conteúdo em si, mas sobretudo por envolver o nome de um antigo presidente da Câmara que marcou, de forma indelével, o percurso do concelho”.

Daniel Campelo, que liderou a autarquia limiana durante vários anos, é descrito pelos sociais-democratas como uma figura “associada à afirmação de Ponte de Lima como território dinâmico e atrativo”. O PSD sublinha a “incredulidade perante a possibilidade de tal posição ter sido defendida” por Campelo, questionando ainda a falta de suporte documental para uma declaração baseada apenas em “alegadas transmissões orais”.

Perante o que classifica como “um cenário de ambiguidade que lança suspeições injustificadas”, o PSD de Ponte de Lima dirige três exigências ao presidente da Câmara: que Vasco Ferraz esclareça “de forma clara e objetiva, em que circunstâncias, quando e perante quem” terão sido proferidas as declarações atribuídas a Daniel Campelo; que seja tornado público qualquer documento, parecer ou posição escrita que sustente tal afirmação, caso exista; e que Daniel Campelo possa, se assim o entender, esclarecer publicamente se alguma vez defendeu uma redução populacional do concelho.

O partido alerta ainda para o “ruído” que a polémica introduz num debate que exige seriedade e rigor, o da revisão do Plano Diretor Municipal, um instrumento estratégico que definirá o desenvolvimento do concelho nas próximas décadas.

Na nota, os sociais-democratas rejeitam “instrumentalizar nomes, histórias e legados políticos” e defendem que, se alguém realmente entende que Ponte de Lima deve perder população, “deve dizê-lo com clareza e assumir politicamente essa visão perante os Limianos”. Caso contrário, diz o PSD, “é imperativo que se reponha a verdade e se salvaguarde o bom nome de quem dedicou anos da sua vida ao desenvolvimento do concelho”.

O partido reafirma a sua convicção num concelho “que cresce, que atrai população, que cria oportunidades e que valoriza o seu território – não num concelho resignado ao declínio ou à redução demográfica como inevitabilidade”.

Até ao momento, nem o presidente da Câmara, Vasco Ferraz, nem o CDS – partido que integra a coligação no executivo municipal – se pronunciaram publicamente sobre as acusações do PSD, nem sobre a alegada visão para o futuro de Ponte de Lima. O próprio Daniel Campelo também não reagiu ainda à polémica.

O jornal tentou obter reações junto dos visados, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição.

Fado, vinho e folclore são “receita” para Arcos Fado Fest em Junho

O Parque da Ponte Nova e o Anfiteatro do Trasladário vão acolher, de 5 a 7 de junho, a 6.ª edição do Arcos Fado Fest e Festivinhão, uma iniciativa que alia o fado à promoção do vinho. O anúncio foi feito esta segunda-feira, 5 de maio de 2026, pelas 15h00, na Delegação de Turismo da vila.

A apresentação do evento contou com a presença de Olegário Gonçalves, presidente da Câmara Municipal, Emília Cerdeira, vereadora, Marco Rodrigues, fadista, Vítor Correia, delegado da Ordem dos Engenheiros da Delegação de Viana do Castelo, e Nuno Soares, diretor da Casa das Artes de Arcos de Valdevez.

Olegário Gonçalves começou por apresentar o evento, afirmando que “Arcos de Valdevez está na moda” e que “Arcos Fado Fest e Festivinhão são já um marco” nos eventos culturais da região e do país.

O evento terá duas vertentes complementares, uma dedicada ao fado e outra à valorização do vinho regional, e foram anunciadas alterações na disposição dos espaços, que ficarão “mais amplos e conectados”.

O presidente da Câmara evocou ainda o momento alto do ano anterior, realizado “em casa da Amália”, como um exemplo do espírito que se quer repetir. “Foram duas horas de glamour e emoção”, recordou. Entre os nomes que marcaram presença em edições anteriores, Olegário Gonçalves destacou Sara Correia, Fábio Neves, José Coutinho e FF, afirmando que o festival procura dar continuidade a essa linha artística.

“Temos que dar a conhecer as maravilhas que nós temos em Arcos de Valdevez”, referiu Olegário Gonçalves para, de seguida, sublinhar o impacto do evento na economia local.

“O município tem uma agenda transversal a todos os setores e é isso que pretendemos: ter uma ou duas iniciativas por mês para a divulgação de eventos e mostrar o que melhor há em Arcos de Valdevez”, acrescentou.

A vereadora Emília Cerdeira destacou a importância cultural e turística do evento e apresentou o cartaz da autoria de Patrícia Pereira, onde são visíveis pormenores em aguarela com uma guitarra, a ponte e uvas.

O destaque desta edição vai para as atuações de Raquel Tavares, Marco Rodrigues e Ricardo Ribeiro, para as ‘Vozes do Vez’, e para o regresso do conceito ‘Fado à Mesa’ – um percurso de trio de fadistas por diversos restaurantes, ao almoço e ao jantar, em atuações informais que recriam o ambiente típico de uma casa de fado.

O fadista Marco Rodrigues, natural de Amarante, mas com fortes ligações a Arcos de Valdevez, onde iniciou a sua atividade, tem a seu cargo a organização dos espetáculos. O evento conta com o apoio da Câmara e de toda a sua estrutura, mas o fadista não resistiu a tecer rasgados elogios à colaboração de Nuno Soares. “Se eu tivesse que contratar e ele fosse um jogador, eu contratava-o a qualquer preço. Ele é o Ronaldo.”

Marco Rodrigues disse pretender fazer algo de único nesta edição do Arcos Fado Fest. O “folclore fadista”, explicou, remete para uma aproximação entre o fado e o folclore, algo que não é de todo alheio ao fado. Já Amália dedicou um disco integralmente ao folclore, com músicas que trauteamos amiúde, apontou. Por isso, um dos desafios propostos, para além do fado, é conjugar esta forma sentida de cantar com o folclore e os cantares ao desafio tão característicos da região.

Vítor Correia, delegado da Ordem dos Engenheiros da Delegação de Viana do Castelo, tomou a palavra confessando acreditar nesta comunhão entre fado e vinho, entendendo que ambos retirarão resultados positivos do evento. Vítor Correia agradeceu a Marco Rodrigues e reforçou o apoio institucional ao certame.

A organização espera centenas de visitantes para a edição deste ano, reforçando a aposta na cultura e na promoção dos produtos endógenos de Arcos de Valdevez.

 

Bombeiros Voluntários celebram hoje 137 anos ao serviço da comunidade

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez celebra hoje 137 anos de existência. A data remonta a 1889, quando, num gesto de cidadania e coragem, um grupo de habitantes do concelho decidiu criar uma corporação dedicada ao socorro e à proteção de pessoas e bens. Foi a 5 de maio desse ano que os primeiros estatutos foram aprovados, nascendo oficialmente a instituição que, ainda no século XIX, faria a sua primeira saída para um incêndio na casa de António Pereira Castro Caldas, a 8 de maio de 1890, e o seu verdadeiro batismo de fogo poucos meses depois, a 4 de julho de 1890, numa explosão de foguetes.

A corporação, que já recebeu o título de Utilidade Pública em 1928 e foi agraciada com a medalha de ouro pela Liga dos Bombeiros Portugueses, mantém-se como uma referência no vale do Vez, intervindo não só em incêndios florestais e urbanos, mas também na emergência pré‑hospitalar, num trabalho diário que conta com o apoio do município.

Hoje, quase um século e meio volvido, o presidente da direção da associação, Germano Amorim, recordou a efeméride numa publicação nas redes sociais, sublinhando que, ao longo dos anos, “homens e mulheres têm honrado esta nobre missão, enfrentando desafios com coragem, espírito de sacrifício e um profundo sentido de dever”. Na mesma mensagem, o dirigente destacou que “são gerações de bombeiros, dirigentes e funcionários que construíram e continuam a dignificar esta instituição”.

Germano Amorim deixou ainda um convite à população para que participem, no próximo dia 10 de maio, nas cerimónias do 137.º aniversário, que vão decorrer no quartel sob o comando Duarte Nuno Rocha Pereira.  “Neste dia especial, prestamos homenagem a todos os que fizeram e fazem parte desta casa”, escreveu o presidente, “e reafirmamos o compromisso de continuar a servir Arcos de Valdevez com o mesmo empenho e dedicação”. 137 anos ao serviço da vida, como resume a própria associação, são um motivo de orgulho para todo o concelho.

Obra nova orçada em quase 750 mil euros reabilitará “Edifício Esplanada”

Foi publicado hoje, segunda‑feira, 4 de maio de 2026, no Diário da República, o anúncio de procedimento n.º 11354/2026 referente ao concurso público para a construção de um edifício de apoio à Praça da República, no centro da vila. O valor base da empreitada é de 748.796,50 euros (sem IVA).

Segundo a documentação oficial, divulgada pelo Município de Ponte da Barca, a nova infraestrutura, conhecida informalmente como “Edifício Esplanada”, incluirá um estabelecimento de restauração e bebidas, instalações sanitárias públicas acessíveis e um espaço dedicado à promoção do território, visando reforçar a atratividade turística da principal praça do concelho.

A obra será lançada através de um concurso público sem lotes, não estando prevista a utilização de leilão eletrónico nem negociação, sendo a autarquia atua a autoridade local adjudicante.

Segundo o município barquense, a intervenção visa uma “melhor integração urbana, mais qualidade e conforto” na Praça da República, afirmando o território como destino turístico. “Afirmamos assim o nosso território como um território turístico”, lê‑se na nota enviada à redação.

Faleceu Maria do Carmo Aguiam

Maria do Carmo Loureiro Pimenta Ribeiro Aguiam faleceu hoje, dia 4 de maio de 2026, aos 63 anos de idade. Carmo era esposa de Rui Aguiam, antigo presidente da Junta de Freguesia de Arcos de Valdevez (Salvador), figura bem conhecida na vida autárquica e associativa do concelho.

Maria do Carmo desempenhou grande parte da sua carreira na área da educação e ação social, tendo exercido funções como educadora social e, mais tarde, como auxiliar técnica de educação na Câmara Municipal de Arcos de Valdevez. Era reconhecida na freguesia pela sua discrição, bondade e entrega às causas sociais.

Nas redes sociais, o Clube de Rugby de Arcos de Valdevez (CRAV) deixou uma mensagem sentida, sublinhando a ligação profunda de Maria do Carmo ao clube: “Mulher do dirigente Rui Aguiam, mãe do Rui Pedro e do Mário, mas muito mais do que isso: uma de nós. Ao longo dos anos, ‘emprestou-nos’ a sua família, mas deu-nos também o seu carinho, o seu apoio incansável e a sua presença constante. Esteve sempre lá, com um sorriso genuíno que nunca se esquecia. Hoje choramos a sua partida, mas levamos connosco tudo aquilo que nos deixou: o exemplo, a dedicação e o amor ao clube.”

A notícia do falecimento, ocorrido hoje, já gerou ondas de pesar nas redes sociais e na comunidade arcuense. Amigos e vizinhos recordam-a como uma mulher afável, sempre presente nos momentos importantes da vida coletiva da freguesia, ao lado do marido.

O velório terá lugar na Igreja de S. Bento, Arcos de Valdevez, onde amanhã, terça-feira, dia 5 de maio, pelas 10 horas, será rezada missa de corpo presente, finda a qual o corpo será sepultado no Cemitério Municipal de S. Bento, Arcos de Valdevez.

O jornal Cardeal Saraiva endereça as mais sentidas e profundas condolências a Rui Aguiam, filhos e restantes familiares.

 

Memórias do concelho ganham forma em livro

O Auditório Municipal de Ponte da Barca encheu-se no domingo, 3 de maio, para a apresentação do livro “Conta lá, Avó!”, uma obra que reúne testemunhos de gerações mais velhas do concelho e os converte em registo vivo de património imaterial. A sessão contou com a presença de muitos dos entrevistados, que partilharam bancada com os técnicos e artistas envolvidos na recolha, edição e design gráfico, bem como com o presidente da Câmara, Augusto Marinho, e restantes vereadores.

A compilação das narrativas ficou a cargo do professor Luís Arezes, cujo conhecimento da história e das tradições locais permitiu estruturar os depoimentos com coerência e rigor. A obra não se limita a transcrever as recordações: inclui ainda um enquadramento histórico que ajuda a situar cada relato no seu contexto social, cultural e económico, conferindo-lhe uma sólida dimensão documental. A apresentação foi moderada pelo jornalista da Rádio Barca, Nuno Cardoso, que promoveu um diálogo próximo entre todos os intervenientes.

Ao longo da tarde, vários dos protagonistas partilharam com o público as memórias que integram o livro. Conceição Silva trouxe à luz um batizado realizado à meia-noite na Ponte Medieval, com o rio Lima como pano de fundo e a fé como elemento central de uma recordação que perdura. José Braga, natural e antigo trabalhador da Central Hidroelétrica de Paradamonte, onde passou mais de duas décadas, evocou a sua longa ligação àquele lugar. Manuel Antunes, natural de Vila Chã de São João, narrou os caminhos do contrabando que percorreu a partir dos 14 anos, num período em que a fronteira se impunha pela dureza e pela necessidade.

A tradição cantada do “Amentar às Almas” marcou presença através de duas vozes: Maria Barbosa, de São Martinho de Crasto, e Celeste Silva, de Bravães. Ambas descreveram esta prática como um elo profundo entre comunidade, espiritualidade e identidade, atravessando gerações pela oralidade. Do Barral, na mesma freguesia de Vila Chã de São João, várias mulheres – Rosa Gonçalves, Carolina do Souto, Maria Gomes, Rosa Reis e Maria Branco – recordaram as aparições de Nossa Senhora da Paz, mantendo viva a força da devoção popular.

Ainda no concelho, Alice Rocha falou dos Romeirinhos à Santinha da Barca, uma manifestação religiosa enraizada na cultura local. De Oleiros, Maria de Fátima Costa trouxe a memória do fabrico de fogo, tradição centenária que marcou a freguesia e perdura como símbolo da sua história. No conjunto, estes relatos desenham um retrato coletivo de Ponte da Barca, onde o trabalho, a fé, os rituais e o quotidiano se entrelaçam.

A vertente cultural da sessão ficou a cargo do Grupo de Gaitas e do Grupo de Cordofones da Câmara Municipal, bem como das Cantadeiras de Crasto e de Bravães e da Academia de Música de Ponte da Barca. Com esta obra, o concelho ganha um instrumento de preservação da memória oral, escutando antes de registar e devolvendo à comunidade as histórias que a definem.

 

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